4 de outubro de 2016

#EstudaSampaEstuda - O que aprendemos na School of Babywearing de Londres sobre a Displasia de Quadril

Com a intenção de aprimorar nossos conhecimentos e estudar mais sobre nosso universo - abrindo espaço também para as abordagens e conhecimentos de outras culturas - estivemos na School of Babywearing em Londres, onde pudemos trocar com as consultoras e mães locais. Você acompanhará aqui no Blog da Sampa Sling uma série de artigos sobre os principais temas que abordamos por lá.



Hoje escolhemos começar pela displasia de quadril, como um dos temas sensíveis atualmente na comunidade do colo brasileira. Há quem invoque estudos científicos sobre esse tema para estabelecer padrões de carregamento - especialmente no que se diz respeito aos tecidos, modelos e posições dos bebês.

No entanto, nosso contato com esses representantes da escola européia de carregamento de bebês, confirmou o que há alguns anos temos praticado: há muito o que se conhecer ainda sobre essa condição e a proteção do quadril é um ponto importante a se cuidar no desenvolvimento do bebê. 

Mesmo assim, o carregamento no colo trás mais benefícios aos portadores da Displasia de Quadril do que malefícios. Vamos elencar os pontos importantes desse aprendizado, no intuito de esclarecer de vez a relação entre displasia e posições supostamente "indicadas" para carregar os bebês.



O que precisamos saber sobre displasia de quadril?

  • Os quadris do bebê estão em desenvolvimento. Partes de sua formação são cartilaginosas, e devem se fixar enquanto ósseas durante o primeiro ano de vida. O encaixe do quadril não está formado completamente até mais ou menos dois anos. 
  • A displasia de quadril é uma doença congênita de causa desconhecida. Existem dados científicos que apontam para a posição do bebê dentro do útero materno. Ela é o "desencaixe" da cabeça do fêmur no receptor dos ossos da bacia, que se chama acetábulo.



  • O Hip Dysplasia Institute - que tem sido insistentemente invocado dentro da comunidade de colo brasileira como fonte de referência para a proibição ou referendo de posições ou tecidos para carregar bebês  – é uma instituição de caridade e não é um órgão científico. 
  • Essa instituição informa sobre a condição, para quem tem o problema. Levanta a consciência de que algumas medidas de segurança podem ser tomadas para não agravar a condição do bebê que nasce com displasia de quadril. 
  • Os estudos em que se baseiam são feitos em cachorros. Não existem estudos sobre Displasia de Quadril feitos em bebês. 
  • A instituição não diz e não prova que slings/amarrações "erradas" causam Displasia de Quadril. Ela informa PAIS com FILHOS que tem DISPLASIA de como é a melhor forma de carregá-los. Portanto, mesmo as crianças que são carregadas por exemplo, em posições frontais, nos aparatos apelidados de "pendurus" não estão correndo o risco de desenvolver displasia de quadril.
  • Esse mito está relacionado ao fato de que bebês com pernas esticadas, portadores de displasia de quadril, tem mais chances de agravar a situação pré existente. 
  • As pesquisas que relacionam pernas esticadas e displasia de quadril provam que culturas que mantém os bebês com pernas esticadas (sem agrupamento) apresentam maiores índices de displasia de quadril do que culturas onde os bebês são carregados agrupados no colo. Se isto é devido à posição M ou à fatores genéticos dos grupos culturais, não se sabe. 
  • A posição M é importante porque: distribui melhor o peso do bebê no corpo do adulto, tornando o carregamento mais confortável e respeita o posicionamento natural e abertura do quadril do bebê, fisiologicamente adaptado para encaixar no torso da mãe.
  • Precisamos ter cautela quando fazemos afirmações sobre a Displasia de Quadril e saber que o suporte de joelho a joelho é mais uma questão de conforto do que uma necessidade para todos os bebês.

Esta imagem é largamente difundida como se fosse uma prova inconteste da obrigatoriedade de se carregar o bebê em posição ereta em detrimento da posição semi-deitada.

Se houver a necessidade de se comparar essas duas imagens sob o ponto de vista da segurança do bebê, certamente o maior risco que corre o bebê da esquerda é o risco de sufocamento e não de displasia de quadril. Todas as comunidades de colo contemporâneas são unânimes ao recomendar que o rosto do bebê esteja visível e não coberto pelo tecido para um carregamento seguro. A posição semi-deitada (ou cradle, como chamam em Londres) não apresenta riscos aumentados nem de sufocamento nem tampouco de displasia de quadril quando segue as balizas mínimas de segurança, que incluem o agrupamento das pernas do bebê sem esticamento, apoio nas costas, o semi-recline e a visibilidade de seu rosto, afastando o queixo do peito. 

No entanto as mães e orientadoras do School of Babywearing nos disseram que a posição semi-deitada não é a primeira posição que ensinam para um adulto que esteja começando a carregar o seu bebê. Elas consideram que é mais indicado para um adulto novato em carregamento de bebês manejar posições mais eretas primeiro para depois usar as semi-deitadas. 


No próximo artigo do #EstudaSampaEstuda vamos compartilhar o que aprendemos sobre as teorias de Hassestein e Kirkilionis sobre os mamíferos que andam agarrados às suas mães.