27 de julho de 2015

Amarração da Barriga durante a Gravidez


Durante a minha terceira gravidez, eu tive pródromos super desconfortáveis - pródromo é o trabalho de parto que parece começar e parar, e pode durar dias. Para mães veteranas como eu, isso pode ser especialmente enlouquecedor, porque achamos que depois de dois filhos, saberíamos como é o início do trabalho de parto. Mas os pródromos nos enganam bastante.

Algumas parteiras acreditam que o pródromo é mais comum em mães que já estiveram grávidas, pelo menos algumas vezes. A sabedoria diz que os músculos abdominais e o útero do mãe veterana já foram esticados, de modo que a barriga é mais relaxada do que a barriga de uma mãe de primeira viagem. Esse relaxamento da barriga, permite que o bebê tombe para a frente, fora do colo do útero, fazendo o trabalho de parto retardar ou parar. Um dos sinais mais claros desta situação é se as contrações parecem mais fortes quando a mãe está inclinando-se para trás em uma posição reclinada (onde o bebê iria colocar mais pressão sobre o colo do útero), e mas lento ou enfraquece quando ela se levanta ou se agacha (onde o bebê tombaria para frente novamente.)

Um dos truques que as parteiras tem para lidar com isso é a amarração da barriga.

Várias parteiras e doulas me aconselharam a amarrar minha barriga quando eu estivesse no final da minha terceira gravidez, mas eu não conseguia descobrir exatamente com o que amarrá-la. Então, um dia meu amigo me enviou um sling de argola, feito com algodão elástico, e uma luz se acendeu na minha cabeça. O sling foi a coisa perfeita para amarrar a minha barriga e fornecer o suporte exatamente onde eu precisava.

Eu só queria ter descoberto esse truque mais cedo. O sling ajudou a sustentar a minha barriga e fornecer uma pressão-contrária sobre meus quadris para aliviar todos os tipos de dores na gravidez. Usando esta técnica, eu era capaz de andar por um museu com os meus filhos por mais de quatro horas, grávida de 40 semanas, e ainda me sentir muito bem no final do dia. Eu usava o sling o dia todo, durante todos os dias, e quando o trabalho de parto começou, eu mantive o sling amarrado até o momento em que eu estava pronta para entrar na banheira. 





Dicas:

- Use um sling elástico, de algodão ou jersey. Um sling elástico irá fornecer um apoio mais confortável e flexível.

- Amarre o sling em torno de sua barriga, com as argolas começando mais perto do meio das costas. Enquanto você puxa o tecido através da argola, os anéis vão naturalmente deslizando mais em direção a seu quadril, e deve parar exatamente ao seu lado. Você pode ter que experimentá-lo algumas vezes antes de descobrir exatamente por onde começar.

- Uma vez que estiver posicionado no lugar, espalhe o tecido para fora em toda a sua volta, e ajuste até que esteja confortável.

- Aperte a parte inferior apenas o suficiente para se sentir apoiada, mas não tanto que impeça o bebê de descer. Parteiras recomendam a aplicação de maior pressão na metade superior da barriga para que o bebê seja suavemente puxado para dentro e para baixo.

- Você pode usar qualquer tamanho de sling que você tiver, até aconteceu de eu usar um "Mini Sling", que é na verdade um sling de brinquedo, de tamanho infantil. Eu gostava, pois ele tinha menos tecido do que um sling adulto de tamanho normal. O que significava que eu não parecia ter esquecido o bebê em casa. A maioria das pessoas achava que era uma espécie de cinto de designer ou envoltório próprio para a barriga que eu havia comprado.

Se você é uma mãe veterana experimentando pródromos, ou uma mãe de primeira viagem carregando um bebê particularmente pesado, slingar a barriga pode proporcionar conforto e apoio nesses últimos meses de gravidez.


Mais no Facebook de The Feminist Breeder
Veja mais sobre a amarração de barriga no contexto cultural em The Band Specialist

14 de julho de 2015

As coisas que ouvimos quando Slingamos

Carregar o bebê no sling é algo que não envelhece e não sai de moda. Uma prática que veio dos nossos antepassados (veja a história do sling aqui) e mesmo assim causa as mais diversas reações nas pessoas que cruzam com alguém slingando.

Recentemente me deparei com um comentário em um grupo de Facebook onde a mãe afirmava que foi questionada se carregava um cachorro no sling, por uma senhora que provavelmente estranha a possibilidade de uma mãe slingar o próprio bebê. Outra afirmava que um rapaz achou que fosse um Koala! Sim, parece ser mais normal amarrar um animal exótico ao corpo, do que a própria cria.

Com isso em mente, juntei os 5 comentários mais freqüentes que encontrei por ai. Todos ouvidos por mães slingueiras:

1) Nossa! Coitada das suas costas!!

Já me sinto um pouco culpada em citar esse, pois claro que as pessoas tem a melhor intenção, e estão preocupadas com você. Porém, ouvir isso 20 vezes em um dia é um pouco irritante não? Ainda mais tendo que explicar que o modelo que estou usando é super confortável pra mim e pro bebê, que o peso dele está bem distribuído, que ele não está pendurado em mim, etc.

Ilustração daqui

2) Meu Deus! É seguro isso? (Incluindo Ele não vai cair ? Não está muito apertado? Tem certeza que ele está respirando aí dentro? Não tá machucando ele?)

Sim, é seguro, obrigada! Não, ele não vai cair, não está apertado e ele sim, está respirando! Existem regras de segurança a serem seguidas, como existe para qualquer forma de transportar seu bebê. Eu só acho engraçado que ninguém se aproxima de uma mãe com um bebê no carrinho e pergunta se o cinto não esta apertando ele, ou se aquele modelo de carrinho é seguro. Mas é só encontrar uma mãe slingando que a segurança do bebê vira o tema da conversa com estranhos.

3) Você não tem carrinho?

Essa é muito boa. Ou você não tem carrinho ou não tem dinheiro para comprar um. Só por isso você escolheria amarrar o bebê junto ao corpo. Aí você pode passar os próximos 30 minutos explicando para a senhora que te parou no supermercado os benefícios do sling, ou fazer um baita drama e aceitar uma doação para que você possa comprar um carrinho! Você escolhe!

4) Cuidado que ele vai ficar muito mimado hein!

Acho que essa é uma das mais comuns. A idéia de um bebê muito próximo à sua mãe causa estranheza. Essa coisa de carinho e apego é super perigosa para algumas pessoas. Aí você pode também investir uma hora para explicar os benefícios e citar as últimas pesquisas que provam o quanto o contato com a pele da mãe é necessário, que crianças que tem suas necessidades supridas, e tornam adultos mais seguros e independentes, o quanto seu bebê fica feliz e calmo no sling, aproveita e explica como aumenta sua produção de leite. Ou, faça como eu, e os pingüins de Madagascar: apenas sorria e acene.

Ilustração de Betina Bexte

5) Como você amarrou isso? Que complicado!

Precisa de um curso para aprender a amarrar um sampawrap? Eu sempre faço questão de amarrar em público, só para ver a reação das pessoas que observam atentamente e tentam entender “como que esse bebê está amarrado aí dentro”. Na verdade a amarração é muito mais simples do que aprender todas as funções, botões, alavancas de um carrinho supermoderno. Mas para as pessoas parece um origami! Eu recomendo que você diga mesmo que foi super complicado mas que você tira de letra. Porque você é fantástica!!

E vocês, já ouviram comentários estranhos? Contem para a gente!

6 de julho de 2015

A idéia não é sua! Apropriação Cultural na Comunidade do Nascimento

O artigo de hoje nos trouxe uma poderosa reflexão sobre o cuidado constante com as origens do Babywearing e outras práticas de apego, tão comumente apropriadas pela cultura branca mercantilista, à exemplo do que acontece nas esferas do parto e amamentação. Aamina é Doula, artista e poeta, de origem indígena-americana, que tem como objetivo transformar as doulas mais acessíveis para as comunidades marginalizadas como as mulheres negras, lésbicas/gays, transgênero e famíias queer.

Leia o relato dela sobre a apropriação cultural do uso do Sling e reflita conosco!
As imagens ilustrativas são parte da pesquisa que fizemos para essa postagem e contam com os devidos créditos. 

***
Em livre tradução pela Sampa Sling

Estudei todos os livros que pude encontrar sobre o parto e parentalidade na minha biblioteca local quando eu estava grávida pela terceira vez. Era a minha primeira gravidez viável, 19 anos atrás. Eu era uma jovem de raça mista e meu parceiro um jovem nativo, mas eu tinha sido adotada e criada por uma família branca. Saber que eu estava à caminho de ser uma mãe com tão pouca conexão com a minha cultura me deixou ansiosa para aprender sobre de onde eu realmente vim.

As opções de livros da biblioteca eram bastante limitadas, por isso provavelmente foi um milagre que eu tenha descoberto um pouco sobre babywearing. Eu nem sequer imaginava que ainda existem mulheres nativas que usam ''cradleboards'' tradicionais, então eu comprei um carregador frontal do tipo que não existe mais. Quando meu filho tinha três dias de idade, eu usava-o no ônibus para sua primeira consulta no pediatra. Descobri que o carregar dessa forma era uma prática de empoderamento. Ele ajudou a mantê-lo calmo, e manteve as minhas mãos livres para escrever longas cartas para o pai dele, para lavar a roupa, e para ser capaz de fazer as coisas que eu precisava fazer.

Apache "cradleboard"- 1914 : fonte da imagem

Somente cerca de sete anos mais tarde, quando eu tinha um parceiro da Nicarágua, que eu tive a oportunidade de ver as mães da América Central que vestem seus bebês em suas costas em cobertores. Nos últimos 10 anos, graças à internet, tenho visto um ressurgimento da informação acessível sobre babywearing. Infelizmente, a maioria das informações é de marketing: e voltada para as mulheres brancas da classe média, muitas vezes com pontos de venda sobre este grande fenômeno "novo" e exigindo engenhocas caras, enquanto desconsidera as comunidades não brancas em que babywearing tem sido o normal desde o início dos tempos. 

Isto é evidente quando percebemos a falta de famílias negras na maioria das campanhas de marketing e até mesmo de mídia social. Quatro anos atrás eu comecei um Tumblr dedicado a apenas mostrar pessoas não brancas slingando, e era difícil encontrar fotos para postar (o que, desde então, melhorou um pouco). Esse tumblr também foi recebido com raiva por mulheres brancas, que diziam que não havia necessidade de um blog só para as famílias não brancas, e que era "excludente". Eles pareciam não enxergar a ironia desse termo.

Mãe e bebê na Guatemala: fonte da imagem
Kanga & Kitenge: Babywearing na África. Fonte da Imagem

Mãe e bebê Hmong: fonte da imagem

Do Quiche Maya da Guatemala ate o Zulu da África do Sul, para os Hmong das montanhas da Ásia, o babywearing sempre existiu e foi mantido por muitas mulheres, apesar da colonização e demandas para assimilar as normas européias / norteamericanas que subsumem nossas culturas tradicionais. Como a história do babywearing, a tradição de slingar a barriga também tem sido marginalizada por muitas pessoas, e ainda assim eu não sabia nada sobre isso. Somente no último verão eu fui ensinada como parte da minha formação de doula pelo ''International Center of Tradicional Chilbearing" como usar o envoltório de barriga (belly-binding) durante a gravidez para a sustentação, e após a gravidez como alternativa à cinta. De repente, muitos dos estilos de roupas tradicionais que incorporam lenços elaborados nos quadris ou envolvidos em torno da cintura no Nepal, Tibet, Egito, minha própria tribo, e outras culturas fazem novo sentido.

Imagine minha surpresa, encontrar este artigo no Mothering.com sendo amplamente compartilhado em mídia social por parteiras brancas que eu imaginava que fossem melhor informadas. A autora, uma mulher branca, diz que ela "descobriu" embrulhar a barriga como um instrumento de apoio a sua pélvis durante sua segunda gravidez. Enquanto slingar o bebê tornou-se mais comum, slingar a barriga ainda é uma maravilha a ser descobreta pelas mulheres brancas, mas como babywearing, as mulheres brancas têm felizmente aproveitado a ocasião para "ensinar" essas habilidades. Por alguma razão, elas se sentem compelidas a oferecer workshops com nomes exóticos que soam como "O uso do Rebozo Mexicano" e "Amarração Africana de Barriga" para fazer com que senhoras brancas se interessem. Não estou sugerindo que as mulheres brancas não deve praticar apoio / sling de barriga e babywearing. Os benefícios de ambos são tão grandes que eles devem ser amplamente conhecidos e praticados.

Fonte da Imagem

O que me trás desconforto são mulheres brancas escrevendo artigos onde dizem que "descobriram" essas técnicas e falam como autoridades do assunto sem nunca dar crédito à história e verdade cultural destas técnicas. Dar crédito significa muito mais do que usar uma palavra "estrangeira" e uma impressão "étnica" bonita em seu site e folhetos. Significa, também, um aprofundamento maior do que referenciar as práticas "típicas" de uma ou duas culturas que não têm nenhuma conexão significativa com elas. Eu tenho um problema com mulheres brancas oferecendo workshops, e sendo pagas para fazê-lo, para introduzir outras mulheres, predominantemente brancas a estas técnicas sem questionar por que elas acham que são as especialistas no assunto, por que elas estão ensinando as mulheres, predominantemente brancas , o quão apropriadoras elas estão sendo, e como integrar mais profundamente o crédito dessa cultura onde devido, com uma compreensão adequada da história e significados culturais de tais práticas em comunidades não-brancas. É um problema para mim quando eu tento compartilhar o conhecimento de minhas próprias culturas com mulheres marginalizadas que procuram essa ligação cultural, sou atravessada por mulheres brancas que foram a um treinamento ou leram um livro, mas nunca realmente trabalharam com alguém da minha cultura.

Os pais não brancos muitas vezes falam sobre como encontramos duas reações comuns quando fazemos as coisas que temos recuperado como parte do processo de  conexão com as nossas próprias culturas. Ou as pessoas nos dizem que somos "atrasados" e que essas coisas são "primitivas"; nos dizem que hoje há ciência (porque o que os nossos antepassados , obviamente, não se basearam em qualquer ciência) e novas teorias e etc. Ou eles exotizam as nossas práticas culturais e querem ouvir tudo sobre isso e, se estamos abertos a compartilhar, eles de repente se tornam "especialistas" sobre o assunto e pouco depois os encontramos ensinando ou escrevendo artigos desagradáveis ​​tais como os que estou linkando nesse texto. Muito parecido com outros métodos de "mater/paternagem naturais" que se tornaram populares de novo em culturas brancas, há pouca reflexão de como a colonização tentou desesperadamente separar as famílias não brancas da amamentação, babywearing, e outros métodos de cura tradicionais. Parteiras e doulas passam a ser associadas a uma classe de privilégio, muitas vezes completamente inacessíveis às comunidades mais marginalizadas que seriam realmente beneficiadas com mais acesso a esses profissionais. Parto domiciliar é dado como algo que uma família branca pode escolher, mas as famílias não brancas são agora forçadas a aceitar procedimentos médicos invasivos sob a ameaça de ter seus filhos retirados da casa com acusações de negligência médica.

Vale a pena notar que as formas tradicionais de babywearing e de suporte de barriga não exigiam possuir vários  wraps ou slings de US$50 a US$200. Tudo o que precisa é um lenço longo, pedaço de tecido, ou cobertores. Pode-se argumentar que era apenas uma questão de tempo antes que os wraps fossem comercializados, e que o marketing de wraps está respondendo a uma demanda. Por outro lado, gostaria de sugerir que essa comercialização é exatamente o que faz com que essas opções pareçam "não para você" para muitos pais pobres não brancos para quem tal despesa simplesmente não é realista. Em vez de ensinar que o suporte da barriga o e babywearing pode ser feito com um produto, e mostrando como qualquer lenço de um determinado tamanho pode ser funcional, comercialização sugere que babywearing é complexo e caro. Para as mulheres pobres e não-brancas que estão também mais sujeitas a acusações de cuidados negligentes, a questão da segurança também é muito real. Os comerciantes são rápidos em sugerir que os transportadores são necessários para a segurança, à despeito do fato de que as mulheres de todo o mundo continuam a usar seus bebês com um bom lenço de algodão, e sem problemas. Não é sobre o tipo ou o custo de seu sling, é sobre estar bem informado sobre como usá-lo de forma segura. O acesso ao conhecimento tradicional dos nossos antepassados ​​e apoio a reconhecer que a sabedoria e a metodologia é um ingrediente-chave em falta porque foi apropriado por mulheres brancas que não conseguem fazer divulgação para as comunidades de onde roubaram as tradições.

Nós todos queremos o que é melhor para os nossos bebês. Como doula, eu digo às famílias que a coisa mais importante é que eles tenham todas as informações necessárias que lhes permitam fazer escolhas educadas e conscientes sobre o que é melhor para sua própria situação e necessidade. Isso é verdadeiro independentemente da sua cultura ou etnia - conhecer as opções  é inestimável. Infelizmente, existe uma real disparidade no acesso a essa informação, e a falta de apoio culturalmente competente, para muitas famílias não brancas. Quando as mulheres brancas levam o crédito por descobrir as nossas tradições, isso que desonra a nossa história e as nossas culturas, enquanto retém o apoio que essas tradições representam para aqueles que as vêem como uma forma valiosa de acessar nossos próprios poderes ancestrais. Apropriação não é um ato inocente. Isso nos dói economicamente, em disparidade de saúde, em comportamentos micro-agressivos que eu diria não são micro coisa alguma, mas sim contribuem diretamente para a continuidade dos sistemas de marginalização.

http://aaminahshakur.tumblr.com/post/102993343505/not-your-idea-how-to-avoid-cultural-appropriation


30 de junho de 2015

Slingando Recém Nascidos - Nova Web Série da Sampa Sling

É com muito orgulho que anunciamos o primeiro capítulo da Web Série Slingando Recém Nascidos!

"A ideia é capturar os detalhes do desenvolvimento de um bebê desde os primeiros dias, e como cada carregador e amarração pode ser mais adequado para a prática do Slingar" - comentou a Rosângela Alves, a mãe da Sampa Sling, que além de empresária da marca é consultora em carregadores de pano e vem trazendo o costume ancestral de carregar bebês no colo para dentro da realidade de cada vez mais famílias.

Julia, a personagem principal da série, é sobrinha da Rosângela, e nesse vídeo está com 15 dias. No primeiro capítulo, a Rosângela fala um pouco das aflições de se colocar um recém nascido no sling e mostra duas posições práticas e seguras para bebês dessa fase no modelo de carregador mais versátil que existe: o Sling de Argolas!



No próximo episódio, você verá como a Julia ficou dentro do Sampa Wrap!

23 de junho de 2015

Os 4 Maiores Mitos do Sono desmistificados!

"Ele é um bebê bonzinho?"

Texto original de Belly Belly
Em tradução livre pela Sampa Sling

Esta deve ser a pergunta mais frequentemente feita aos pais de bebês novinhos....
A crença popular de que "bebês bonzinhos'' dormem bem e ''bebês difíceis'' não dormem bem está firmemente arraigada na cultura ocidental. Tão grande é a pressão para provar que nós e nossos bebês estamos fazendo a coisa certa, que um terço dos pais admite ter mentido sobre os hábitos de sono dos seus bebês. Então - vamos cair na real sobre bebês e sono. O que é normal, afinal? Aqui estão quatro mitos do sono do bebê que foram respondidas com verdades, na esperança de que eles vão lhe trazer mais paz de espírito:


Robert Schiffe, New Baby


Mito do Sono #1: Na minha época ... (Insira um conselho desatualizado aqui)

Em 1957, uma pesquisa sugeriu que 70% dos bebês começou a dormir durante a noite aos três meses de idade. Você provavelmente já ouviu isso por muitas gerações passadas de mães, vovós, profissionais de saúde e outras pessoas que passaram essa informação como fato por quase 60 anos. Mas aqui está o que deixaram de fora sobre o mito do sono do bebê:
  • Dormir durante a noite foi definida como ''não perturbar os pais da meia noite ás 5 da manhã". 
  • Embora 30% dos bebês não estivessem 'dormindo bem' aos 3 meses, a informação foi mal interpretada ao sugerir que todos os bebês eram capazes disso e, portanto, deveriam estar fazendo isso. 
  • Embora os bebês foram relatados como estarem 'dormindo bem aos 3 meses', metade deles voltaram a acordar novamente 
  • Na época do estudo, a maioria dos bebês foram alimentados com fórmula, suplementado com cereal de arroz e outros sólidos muito mais cedo e dormiam em um quarto separado dos pais. Nós sabemos agora que estas coisas aumentam o risco de morte súbita.

Mary Cassat, Mãe Amamentando

Mito do Sono #2: Seu bebê precisa aprender a dormir sozinho

Dr James McKenna chama de "bebês idade da pedra em um mundo era espacial". Apesar do grande avanço da ciência e da tecnologia na história moderna, nossos corpos - e os dos nossos bebês - permanecem inalterados.

Os bebês são projetados para se sentirem seguros próximos a sua mãe, dia e noite, perto de seu corpo. Predadores, meio ambiente e outros fatores tornam o mundo um lugar inseguro para uma criança desprotegida. Hoje, tanto quanto no passado, bebês em todo o mundo se sentem mais seguros para dormir ao lado de sua mãe. Compartilhar uma superfície de sono (de cama compartilhada) ou dentro de do alcance dos braços (co-sleeping) ainda são as formas naturais para mães e bebês passarem a noite.

Aqueles que dizem que a cama compartilhada (ou o co-sleeping) é perigosa, precisam perceber que não importa onde um bebê dorme, há práticas inseguras a evitar. Existem também orientações de segurança para evitar acidentes e danos.

Quando olhamos para a amamentação como uma forma natural para os bebês se alimentarem, podemos também olhar para os seus padrões de sono como a maneira normal de dormir. Pesquisas mostram claramente uma ligação entre a cama compartilhada e a amamentação bem sucedida. No Reino Unido, 70-80% das mães que amamentam também compartilham a cama com o bebê.

Professor James J. McKenna descobriu que bebês com idade entre 11-15 semanas que dormem dentro alcance de sua mãe, são amamentados duas vezes mais que os bebês em seu próprio berço. Ao invés de ver isso como um lado negativo de amamentação ou co-sleeping, podemos ver que um compartilhamento de cama com segurança, pode ajudar as mães a atender seus objetivos de amamentação e permitir que os bebês estabeleçam e mantenham a produção de leite.


Maurice Denis, Bernadete e sua Mãe


Mito do Sono # 3: Seu bebê já deveria estar dormindo a noite toda! Acordar durante a noite continua durante todo o primeiro ano - e além.

Uma nova pesquisa do Reino Unido mostra claramente que 78% dos bebês entre 6 - 12 meses ainda regularmente acorda pelo menos uma vez no meio da noite, sendo que 61% necessitam de pelo menos uma mamada durante a noite. Dra. Amy Brown, diretora de programa para o mestrado ''Child Public Health'' que liderou o estudo, disse: "Os resultados são muito interessantes pois eles ... desafiam a idéia de que os bebês devem dormir durante a noite, logo em algumas semanas."  Você não está fazendo nada de errado se seu bebê continua a acordar à noite para se alimentar no segundo ano - na verdade, seu bebê é normal.



Christian Krogg, Mãe dormindo


Mito do Sono # 4: Alimentos sólidos e / ou fórmula vão corrigir problemas de sono do seu bebê

O estudo também derrubou o mito de que sólidos na alimentação ou complementação com fórmula ajudam o bebê a dormir à noite. Na verdade, os pesquisadores descobriram que os bebês alimentados com sólidos e leite durante o dia ainda tinham a mesma probabilidade de acordar à noite, mas menor probabilidade de serem alimentados.

Alimentar o bebê em excesso durante o dia, em um esforço para fazê-lo acordar menos à noite não funciona. Há muitas razões pelas quais bebês acordam à noite, a fome é apenas um. Incentivar os bebês a comer mais do que eles precisam só pode torná-los desconfortavelmente cheios e pode aumentar a obesidade na vida adulta.


Ao invés de manter o mito de que acordar durante a noite é um problema a curto prazo para ser resolvido o mais rapidamente possível, precisamos apoiar e preparar melhor os pais para entenderem que os bebês e as crianças pequenas precisam dos pais durante o dia E durante a noite. Ao criar uma cultura onde os pais escondem a verdade por medo de julgamento, nós perpetuamos esse mito e limitamos o apoio prático disponível para ajudá-los a lidar com isso.



16 de junho de 2015

Pernas para dentro, pernas para fora: sobre slingar recém nascidos

Uma das formas mais divulgadas de amarrar um recém nascido no sling, é a posição sapinho. Essa que você vê na foto:



Na posição sapinho, o bebê está como ficava no útero. Enrolado em posição fetal, a coluna está arqueada e as pernas estão naturalmente posicionadas em "M", ou seja, com seus joelhos na altura do quadril e pernas posicionadas lateralmente. A posição das pernas do bebê é extremamente importante não apenas para a segurança da amarração - pois dessa forma o carregador está travado abaixo do corpo, não permitindo que o bebê passe por ele e se acidente - como também para o desenvolvimento anatômico das pernas, coluna e quadril. A cabeça do bebê está para fora do pano, normalmente apoiada nos braços e mãos que o próprio bebê posiciona, como fazia na barriga.


A amarração em posição sapinho também acontece em outros modelos de carregador, como o de argola. E naturalmente não ocorre nos modelos estruturados, como o mei tai e as mochilas, sabidamente indicados apenas para bebês que sentam. Muito embora, indústrias de carregadores estruturadas como a Ergo Baby, ofereçam acessórios para seu uso com bebês recém nascidos, garantindo que eles não fiquem sentados nos carregadores, e favorecendo a posição "M" das pernas. 






Porém, há alguns anos, consultoras de carregadores e coletivos que estudam o assunto vem recomendando uma forma de amarração que coloca as perninhas do bebê, mesmo recém nascido, para fora, criando um assento com o tecido e promovendo uma abertura maior das pernas do que aquela que vemos no sapinho, além de fixar o ponto de tensão do pano nas dobra do joelho, coisa que não acontece no sapinho.

Ainda que as duas posições lembrem o formato da perninha do sapo e ambas tenham a premissa básica de que os joelhos do bebê estão na altura do quadril e sua anatomia natural é respeitada, no mundo do babywearing essa segunda posição foi batizada de posição cócoras. Como você vê na foto:




Colocando as coisas no contexto do Brasil


Estamos traduzindo livremente as nomenclaturas originais, do inglês. Mais adiante no texto você verá que a suposta polêmica entre amarrar as pernas do bebê para dentro ou para fora está também centrada em questões semânticas. No inglês, "froggied leg" está traduzido nesse texto para "sapinho". E a posição "cócoras" vem de "squatting straddle position", que literalmente significa "posição em cócoras arreganhadas". Os textos em inglês ainda usam uma terceira terminologia "spread squat" que em livre tradução seria "agachamento aberto" e potencialmente se refere ao "M position of the legs" ou "posição M das pernas" > que se aplica ao sapinho e ao cócoras, igualmente, nitidamente.

O babywearing é ainda incipiente no Brasil dito civilizado, a instauração da prática de levar o próprio filho no colo é coisa da última década, muito embora nossos habitantes originais nunca tenham abandonado a cultura milenar de carregar as crias, mais comumente em tipóias, à despeito do que institucionalizam as pesquisas e manuais técnicos sobre o tema. Isso para confirmar que estamos de frente a dados europeus, australianos e norte americanos, que felizemente (ou nem sempre) se apoiam na ciência e na tecnologia para teorizar sobre as coisas mais intuitivas da vida. Como colo.



Nesse prisma, algumas correntes do babywearing, apoiadas nas pesquisas das instituições do exterior que estudam a displasia de quadril, tem insistido enfaticamente que a posição sapinho seria prejudicial, e até mesmo proibida, para slingar um bebê. Como é tendência na europa, temos visto muitas consultoras em busca de espaço em um supostamente restrito nicho de mercado, praticando o babywearing tecnocrata: aquele que se apoia exclusivamente no livro de regras da ciência para dizer às mães como é o jeito certo de levar seus filhos no colo.

Claro está que existem normas de segurança para carregar um bebê. Mesmo sem nenhum carregador, alguém que leva um bebê no colo, intuitivamente opera sob princípios básicos de segurança. Apoiamos suas cabeças e alertamos os menos experientes quando vão pegá-los para que façam o mesmo. Sentimos seu equilíbrio e ajeitamos os filhos sobre as ancas. Nos cansamos e mudamos de lado. Eles se cansam, e deitam para mamar. Sem nenhum modelo de carregador, mães e bebês se entendem no colo. 




O tempo atua sobre nossos corpos e de nossos filhos. Estruturados, naturalmente suas pernas se encaixam nas mães. Que se slingando, vão descobrindo novas formas de dividir o peso, equilibrar as tensões e continuar suas práticas de afeto e rotina.

Tudo isso para dizer que defendemos que Slingar, assim como carregar no colo, é uma atividade dinâmica, simbiótica e também intuitiva. E não um conjunto de regras de segurança normativa que contemplam apenas o que as pesquisas dos institutos de displasia do quadril revelam. Mesmo assim, na intenção de aprender sempre, e melhorar as práticas de nossas consultorias, fomos pesquisar os pontos científicos que estão relacionados ao debate das "pernas para dentro ou para fora"

O que é importante saber sobre o debate


"Eu também pude ajudar" é o nome do livro do cirurgião ortopédico alemão, Ewald Feitweiss, que conta sua trajetória em descobrir tratamentos para a displasia de quadril. Seguidor de um outro cirurgião, Dr. Lorenz, autor de "Eu pude ajudar", outro título também sobre displasia, Dr. Feitweiss foi bem sucedido em proporcionar que as crianças que tem displasia de quadril pudessem ser tratadas fora do hospital. Feitweiss aprimorou o tipo de imobilização praticado por Lorenz. A imobilização de Lorenz (1898), conhecida como "froggied legs" - ou perninha de sapo - obteve menos sucesso para tratamento da displasia de quadril do que a evolução de Feitweiss (1968), conhecida por "squatting"- ou cócoras - que além de maiores taxas de sucesso para o tratamento da displasia de quadril, é mais tolerável para as crianças portadoras da doença, que precisavam ficar imobilizadas por 8 semanas ou mais.

Logo, a preferência pela posição cócoras que é cientificamente respaldada está relacionada à imobilização do bebê para tratamento de displasia de quadril, e não sugere que o bebê carregado em um sling na posição sapinho, que leva o mesmo nome da imobilização de Lorenz, mas não atua na mesma finalidade, corre riscos de saúde, de acordo com Dr. Feitweiss.

"O ser humano é fisiologicamente prematuro no nascimento. O esqueleto de um recém nascido é majoritariamente cartilaginoso. A posição "squatting spread" (cócoras abertas) é mais favorável. Uma pista disso é, por exemplo, as populações onde bebês são carregados em um wrap, amarrados à mãe. Os índices de displasia de quadril nessas populações é perto de zero. Quando as crianças estão no wrap, suas pernas estão à 90º para cima da articulação do quadril ou mais, e moderadamente abertas, evitando que a perna seja esticada para baixo. Portanto, os músculos pivotantes empurram a articulação circular do quadril, criando pressão hidrostática, que suporta o desenvolvimento ósseo correto da região." Dr. Feitweiss

Assim, a posição natural das pernas do recém nascido precisa ser respeitada, e qualquer posição de amarração dentro de um carregador que force suas articulações - seja no excesso de abertura da posição "M" ou no estiramento das pernas do bebê (caso de um posicionamento deitado, que ocorre também comumente em técnicas mais antigas do conhecido "charuto") - está relacionada ao aumento dos índices de displasia do quadril.





Percebemos que os apontamentos que acendem a discussão "pernas para dentro X pernas para fora" são baseadas em práticas de amarração de diversas organizações, fabricantes de carregadores e mães ao redor do mundo interessados em aprofundar-se nas posições ideais para o carregamento de bebês. Você encontrará informações diretivas sobre a o favorecimento das pernas para fora em iniciativas como:


E encontrará também informações diretivas que pontuam apenas da necessidade de respeitar a maturação fisiológica da coluna (formato "C") - com leve inclinação em qualquer posição de amarração, favorecendo inclusive carregamentos horizontais.


Encontrará ainda, informações que suportam o uso da posição "sapinho" das pernas para todos os bebês que não tem amplitude o suficiente para o "cócoras" aberto, bem como informações que ignoram a complicação semântica entre sapinho e cócoras, considerando ambas posições como "formato M" e adequadas do ponto de visto de maturação da coluna, para além das complicações da displasia de quadril.



Mas não encontrará nenhum artigo científico que corrobore a proibição das amarrações em "sapinho" ou pernas para dentro. E por favor, se encontrar, entre em contato conosco para dividir seus achados!

As outras justificativas para a "proibição" da posição sapinho não são baseadas em termos científicos, e sim em experiências pessoais ou abordagens generalizantes como "bebês se sentem melhor nessa posição".

É preciso frisar que é sabido que alguns bebês não ficarão confortáveis em algumas posições. É sabido que não é possível usar o "pernas para fora" como uma regra geral para todos os bebês. É sabido que um adulto slingando dificilmente passa várias horas com seu bebê amarrado na mesma posição. É sabido ainda que várias outras posições consideradas sub-ótimas (como por exemplo a posição lateral, com o bebê levemente deitado no tecido) também são praticadas durante a vida do bebê de colo, ainda que as pesquisas (dessa vez não dos interessados em displasia de quadril, mas sim nos interessados em sufocamentos de infantes) também "proibam" essas amarrações. É sabido que o investimento em conexão, observação e troca entre bebê e adulto que o carrega é um potente preventivo de qualquer suposto malefício que o trato diário possa causar.




É imprescindível pontuar que a opção pelo uso do carregador como prática de fortalecimento de vínculo, calmaria do binômio mãe e bebê, facilitação da rotina entre tantas outras vantagens precisa contemplar os estados físicos, emocionais e condições práticas de cada dupla, individualmente.

Reiteramos que o investimento em práticas de amarração - que a mãe ou pai podem desenvolver à partir de suas livres iniciativas, através de vídeos na internet, trocas com outros pais slingueiros ou apoio em consultorias especializadas - é extremamente positivo para slingar um bebê. Para além de ler os livros sobre isso e estudar as pesquisas, praticar o babywearing é uma das melhores formas de atingir os melhores resultados em amarração. Pratique, pratique, use, amarre, desamarre, faça de novo. 

Insistimos ainda que as regras básicas (que são intuitivas até sem os carregadores) de manter o rosto do bebê em constante visualização, apoiar coluna e pescoço com o tecido respeitando o forma natural da anatomia do bebê, e observar os sinais da dupla - tanto adulto quanto bebê devem estar confortáveis e seguros - são atitudes poderosas.

A academia e as pesquisas, muito embora bem-vindas em muitas situações da vida materna e dos quesitos da saúde dos bebês, podem gerar confusões desnecessárias e desgastantes, culpabilizando mães de forma leviana. O carregamento de bebês no colo pode e deve obedecer quesitos de segurança. Mas não pode ser encarado, assim como aconteceu com o parto e a amamentação, como uma atividade dependente da comunidade médica.

Seguimos nos informando e repartindo conhecimento sobre os facilitadores de colo, reiterando que nossa missão para além de vender slings é promover o contato afetivo entre os cuidadores e seus bebês à partir do colo. 

Um abraço

Sampa Sling


8 de junho de 2015

O Sling e a Depressão Pós-Parto

Texto original de Scary Mommy
Em tradução livre pela Sampa Sling

Eu sou uma grande defensora das crianças. Fui babá, cuidadora, olhei bebês brincando, brinquei com eles, entreti e amei bebês de todas as idades. As crianças falam ao meu coração. E em 16 de fevereiro de 2013, foi-me dado o maior presente de todos .. meu próprio bebê. Meu próprio amorzinho! Mas eu nunca esperava que fosse acontecer do jeito que aconteceu.

Quando minha filha nasceu, eu tive um parto traumático, e ela estava na Unidade de Tratamento Intensivo. Passamos as primeiras 16 horas de sua vida separadas. Assim que estávamos juntas, eu estava pronta para sentir o amor, a alegria, a explosão de emoção. Eu estava antecipando esse momento. Eu tinha sonhado com isso .. Mas, em seguida, eles colocaram a minha menina em meus braços .. e embora eu estivesse aproveitando .. esses sentimentos nunca vieram.



Eu desconsiderei isso e fomos para casa. Depois de vários dias em branco, a escuridão veio. Houve muitas lágrimas, muita tristeza, mas eu sempre ouvia "É normal. É o baby blues. Você vai ficar bem em breve."

Era uma quinta-feira. Eu mal tinha cuidado do meu recém-nascido. Eu não pude. Tocá-la, sabendo que minha eu interior quebrada e incapaz estava no comando dessa coisa indefesa .. que eu tinha que satisfazer suas necessidades e que eu era responsável por sua segurança ... isso me quebrou. Eu não sei como, porquê ou onde a quebra aconteceu naquele momento. Eu ainda não sei. Eu tirava leite, eu amamentava quando eu conseguia tolerar, e me sentava no canto da sala, chorando, enquanto meu incrível marido cuidava da nossa filha.

Naquela quinta-feira, eu me abri. Eu disse ao meu marido que eu estava pensando. Eu não queria essa vida. Se esta foi a minha única opção, eu não queria estar aqui. Eu queria morrer, e eu descobri como eu faria isso. Recitei, em detalhes, a forma com que eu acabaria com a minha vida. Eu assisti a cor do rosto de meu marido sumir. Ele imediatamente conseguiu alguém para cuidar de nossa filha e me levou para o consultório médico. Meu peso. Minha altura. Minha pressão arterial. Uma pesquisa. Eu preenchi o formulário, respondi claramente, sem rodeios, e disse-lhes as coisas que eu tinha considerado. Não, eu não queria ferir meu bebê. Não, eu não tinha ferido o meu bebê. Não, eu não tinha me machucado. Sim, eu provavelmente iria me machucar. Eu deitei na mesa de exame em posição fetal. Minha parteira entrou e chorou comigo. Ela me abraçou, acariciou meu cabelo e me diagnosticou com depressão pós-parto.

As semanas seguintes foram um turbilhão de lágrimas, eu tinha os mesmos sentimentos por mim, lutando contra a voz que me dizia que eu não queria viver. Medicamentos. Médicos. Lágrimas. Lava, enxagua, repete. Após duas semanas, eu estava finalmente no controle de mim mesma, tanto quanto ainda temendo a auto-mutilação. Esses pensamentos ainda estavam lá, mas eles eram apenas pensamentos. Eu ainda lutava para estar no mesmo quarto que a minha filha. Eu acariciava seu cabelo macio, ou suas bochechas rechonchudas, beijava sua cabeça e era bombardeada com um sentimento de falha que me tirava o fôlego. Não existe inferno mais fresco como estar emocionalmente indisponível para amar o seu próprio filho, então eu comecei pesquisando formas de vínculo com uma criança que você não podia tocar.

Que coisa estranha para pesquisar. Mas isso é o que eu encontrei: Babywearing.

A arte de séculos de idade. Algo que é natural e inata de uma mãe, de querer estar perto de seus filhotes. Mulheres de todo o mundo slingam os seus bebês. Diferentes maneiras, por diferentes razões, mas o mesmo belo resultado - um bebê que é seguro, apegado a mãe, e consciente. Um bebê que experimenta a vida e é ensinado que eles são importantes e as suas necessidades serão satisfeitas, ao mesmo tempo que aprendem que o mundo acontece em volta e, apesar deles, não só para eles. Uma coisa linda. Uma ferramenta para realizar coisas, para ensinar, para amar, para nutrir. E, em alguns casos, para curar. Salvar.

Eu li, li, li. Enchi minha mente com o conhecimento. E com o meu marido perto do meu lado para me salvar quando tudo era demais para mim, eu pegava o sling eu tinha ganhado e praticava usando-o com meu gato.

Quando minha filha tinha três semanas de idade, eu a coloquei no sling pela primeira vez. E foi surpreendentemente estranho. Meu corpo inteiro estava elétrico em tocar essa pequena pessoa, mas eu ainda tinha as minhas mãos para me sentir "livre". E pela primeira vez, enquanto eu segurava esta pequena pessoa sem segurar-la, ela se aconchegou em mim e adormeceu. Embora eu tivesse recuperando o controle de mim mesma, este foi o primeiro sinal de progresso que *eu* senti. Esperança. Um pequeno, minúsculo, muito fraco, mas definitivamente vivo, pingo de esperança. Uma luz no fim do meu túnel completamente escuro.


Pela maior quantidade de tempo possível, quantas muitas vezes por dia eu conseguisse, eu slingava cuidadosamente a minha menina, e fazia minhas coisas. Quando eu ficava mal, meu marido viria em meu socorro, ele fazia os cuidados básicos que eu ainda não era capaz de fazer. Mas todos os dias, cada vez que eu pegava aquele pano e o amarrava em mim, toda vez que meu bebê doce suspirou e se aconchegou em mim, feliz por estar perto de mim, aquele pouco pingo de esperança cresceu e se expandiu. O sling estava preenchendo o vazio. Eu ocupei minha mente e me distraí enquanto meu corpo tinha o que estava almejando, e deixei este artigo de pano criar uma ponte entre a minha mente e meu coração quebrado. Entre a minha antiga vida e meu novo eu. Entre o meu doce bebê, e meu desesperado ser.

Eu comprei o meu primeiro sling no primeiro dia em que eu era capaz de fornecer cuidados para a minha filha. Foi uma recompensa para mim. A recompensa, um lembrete. Meu ''Kokadi Teo Stars'' foi uma bela etapa, e para mim, pode muito bem ter sido uma medalha de ouro olímpica. Ele começou uma nova obsessão e ajudou a desenvolver e aperfeiçoar essa ponte .. a ponte entre a minha mente agora bem menos quebrada, e meu coração. As vidas que eu estava agora fundindo em uma bela harmonia. Quatro semanas se passaram desde que eu amarrei meu bebezinho no meu peito e não entrei em pânico. Enquanto eu cuidadosamente (embora de forma descuidada) envolvia o meu bebê nesse novo sling, ela olhou para mim e sorriu.

Aquele sorriso. O fio de esperança que soprou no túnel aberto. Esse sling, aquele sorriso, aquele momento. A minha filha tinha 7 semanas de idade no dia em que me tornei mãe. Tudo graças ao babywearing. Para alguns, é conveniência. Para alguns, é sanidade. Para mim, é um salva-vidas. Meus slings podem ser "peças caras de pano" ou "exagerados" ou "engenhocas estranhas" para alguns. Mas a capacidade de sentir a minha filha fisicamente perto de mim enquanto eu poderia me distrair com segurança .. bem, para mim, não tem preço.

Não há nada de ruim sobre a depressão pós-parto, com exceção de como ela faz você se sentir, e como os outros fazem você se sentir sobre isso. Você não fez nada para merecer isso, você não é uma má mãe. E todo mundo tem seus problemas. Essa era o meu. Isso me mudou. Então, para uma mãe com depressão pós-parto, uma mãe com os braços cansados, uma mãe com uma enorme necessidade de apenas esfregar a porcaria do chão porque isso é NORMAL, e você esqueceu o que é isso .. Slingue seu bebê. De qualquer forma, em qualquer lugar, sempre que quiser. Você nunca sabe como isso pode te mudar.

27 de maio de 2015

Por que meu bebê acorda quando eu o coloco no berço?

Texto original de Belly Belly
Em tradução livre pela Sampa Sling

É uma frustração de muitas mães: finalmente o seu bebê está dormindo em seus braços, e você pretende colocá-lo no berço, na cama, no carrinho, para que você possa ter uma pausa, ir ao banheiro ou até mesmo comer alguma coisa! Você vai andando na ponta dos pés em direção à cama do seu bebê, fazendo o seu melhor para não acordá-lo. Numa velocidade dolorosamente lenta e movimentos super suaves, você o coloca na cama ... mas, no minuto em que ele toca o colchão, ele olha para você com aqueles olhinhos de cachorrinho perdido, 'Eu não acredito que você tentou me colocar no colchão!" . Pronto, ele acordou. E quer os braços da mamãe de novo!

Não importa quantas vezes você tente ou quão profundo em sono você acha que ele esteja, vai acontecer de novo.
Por que?!

Por que meu bebê acorda quando eu o coloco na cama?




Há duas razões principais para isso: Em primeiro lugar, é importante compreender que o ciclo de sono do bebê é diferente de um adulto. Leva até 20 minutos para os bebês chegarem a um sono profundo, o que significa que seu bebê pode facilmente acordar se perturbado antes deste tempo. Se você está tentando colocar o seu bebê no berço muito antes de 20 minutos, esse pode ser o problema. No entanto, alguns pais acham que esperar mais tempo parece não ajudar, o que nos leva à nossa segunda razão.

Infelizmente - ou felizmente - não é algo que você possa controlar ou alterar. O maior especialista do mundo em co-sleeping, Professor James McKenna, explica: "Os bebês são biologicamente projetados para sentir que algo perigoso ocorreu - a separação do cuidador. Eles sentem, através de sua pele, de que algo está diferente, como a falta da suavidade do toque da mãe, do calor do corpo da mãe, do cheiro de leite materno, da gentileza do movimento da mãe, da respiração no peito e da sensação de estar protegido. Lactentes são alertados porque seu próprio corpo está a ponto de ser abandonado, e, portanto, é hora de despertar para chamar o cuidador de volta - o mesmo cuidador cuja sobrevivência do bebê depende.

Ao contrário do cérebro de um adulto, o cérebro do recém-nascido não é desenvolvido o suficiente para entender o conceito de que ela é uma pessoa separada de sua mãe. Isso acontece em algum momento entre os 6 aos 9 meses - Olá ansiedade da separação!

Seu bebê também não está achando uma brincadeira super legal essa de continuar chorando, para que mamãe venha correndo em seu auxílio e fazer o que ele quer. Seu bebê não é adepto da escravidão, manipulação ou gratificação instantânea - ele apenas está em um jogo chamado sobrevivência. Ele acabou de chegar de um lugar onde ele nunca sentiu medo, fome, frio, a sensação de ar fresco passando pelo seu corpo, a necessidade de soltar gases, fezes ou urina. Era um ambiente perfeito, constante onde tudo era confortável. Que grande mudança começar a sentir todas essas coisas!

Se o seu bebê tiver 2 meses de idade (por exemplo), para ajudar a colocar as coisas em perspectiva, lembre-se de que ele está no planeta, fora do útero, há apenas oito semanas. Oito semanas! 

Isso não quer dizer que somente os bebês novinhos são apegados e carentes - ansiedade de separação é um outro marco de desenvolvimento que também acontece na primeira infância. Não é manipulação, é percepção de que mamãe está saindo e eu não sei quando ela estará de volta. Na cabeça do bebê, você pode estar indo para a China. Ele não tem o desenvolvimento do cérebro para compreender da mesma forma que nós. Até então, precisamos nos lembrar de que a empatia, amor e carinho são essenciais para ajudar os nossos bebês a desenvolver um senso seguro de confiança, independência e auto-estima.

Ok, então agora você entende o comportamento do seu bebê, mas o que você pode fazer?


Obviamente não há muito você pode mudar a partir de uma perspectiva de biologia. Mas ter alguma compreensão do que seu bebê precisa para se sentir seguro neste curto período de sua vida pode ajudar. A vida pode ser muito mais fácil - e ambos você e seu bebê podem ser muito mais felizes - quando você abandonar as "regras" e trabalhar com - e não contra - a programação de seu pequeno para a sobrevivência.

Se você colocar o seu bebê na cama e ele acorda ou começa a chorar, você pode tentar confortá-lo em sua cama e ver se isso funciona. Mas se não funcionar ou se você permitir que os gritos do bebê comecem a aumentar, isso pode também aumentar os níveis de ansiedade. O bebê pode sentir que está em uma situação de risco. Dessa maneira ele também está aprendendo sobre o que significa estar no mundo. Pedir por ajuda resultada em tranquilidade? Ou será que resultará em nada? Então por que se preocupar pedir a alguém que o ajude? Dando-lhe conforto, ele também aprende a dar conforto para aqueles que choram.

Embora possa ser cansativo, estressante por vezes, colocar tudo o que você tinha pra fazer em sua lista de espera e se render ao bebê é uma grande solução. Perceber que o bebê está comunicando medo, e não manipulando você, é muito importante.

Ao que você resiste, persiste.


Pode ajudar também, lembrar sempre que, como muitos outros mantras da maternidade, "isso vai passar". Tudo é temporário, nada na vida é permanente. Quando seu bebê passar dessa necessidade de se sentir seguro em seus braços (o que passa muito rápido), ele vai ser um bebê mais confiante, seguro de si. É um passo necessário. Eu sei que alguns de vocês estarão pensando, 'eu vou ficar louca consolando meu bebê sem conseguir fazer mais nada!' Mas você preferiria ficar louca tentando acalmar um bebê que tem o sistema de alerta ativado o dia todo, sem nunca conseguir ter um sono decente? Quanto mais você conforta o bebê, mais ele entende que está seguro e protegido (e ter um aconchegante sono reconfortante vai ser muito mais fácil).

Algumas idéias pra manter a sanidade: 


- Compre um sling apropriado - existem vários modelos diferentes, mas com o sling você pode confortar seu bebê, que dorme protegido no seu peito, enquanto você tem as mãos livres para realizar algumas tarefas!

- Peça ajuda - Você pode revezar com a família. As pessoas adoram segurar bebês e niná-los para dormir, você provavelmente vai se surpreender com as ofertas de ajuda. Se você não tem muita ajuda, pode considerar a contratação de uma doula pós-parto que pode ajudá-la por algumas horas.

- Você pode tentar usar uma rede no berço.

- Seu bebê está em um Salto de Crescimento? Pode ser que ele esteja mais carente, irritado, choroso, o que normalmente caracteriza um marco de desenvolvimento. Enquanto não há muito o que fazer, você pode tentar deitar com ele e o abraçar mais.

- O quarto do bebê é frio? Às vezes, o quarto frio ou lençóis frios podem assustar o seu bebê, especialmente no inverno. Se você pode pré-aquecer o espaço um pouco de tempo antes de dormir ou aquecer uma bolsa de água quente para pré-aquecer a cama (não muito quente, teste o colchão em primeiro lugar), isso pode ajudar. (NT: nos trópicos cheque sempre por calor. Temos a tendência de hiper agasalhar os pequenos, causando também irritação)

- Colocar uma de suas camisetas usadas sobre o colchão - o bebê será capaz de cheirar o seu perfume e pode ajudar com a transferência.

Lembre-se, isso vai passar. Pode parecer como uma eternidade no momento, mas é um pequeno estágio da vida do seu bebê, vai passar rápido e você vai perder esses pequenos abraços. Força mamãe !