12 de setembro de 2016

Vai de Malha: a cultura brasileira contemporânea de facilitadores de colo


Bebês humanos e crianças pequenas dependem dos adultos e precisam ser carregados até que possam se movimentar sozinhos, em maior e menor intensidade conforme estágio de desenvolvimento.

Frente às outras formas de carregar um bebê - no colo sem aparatos ou em aparatos que tiram o bebê do colo, alienando-o de todos os incontáveis benefícios - certamente os carregadores oferecem um sem fim de vantagens.


Uma delas é a versatilidade.

Já sabemos que carregar bebês no colo com o auxílio de um facilitador remete à uma tradição ancestral: isso sempre ocorreu em absolutamente todas as culturas do mundo.


É notório que, de acordo com suas necessidades, materiais disponíveis e demais aspectos socio-culturais, nossas matrizes ancestrais de carregamento de bebê com auxílio de um facilitador elaboraram uma ampla gama de possibilidades para tal.

São carregadores rígidos ou não. De tecido, couro ou fibras. Quem trança, faz carregador de trança. Quem tem acesso ao algodão, carda e tece. Povos caçadores utilizam as peles dos animais. Se é frio, o carregador é quente. Se é quente, o carregador é leve.


Todas as fotos são do livro Bebês du Monde de Beatrice Fontanel e Clarice d'Harcourt

Atualmente, à partir do resgate dessa prática e cada vez maior adesão dos adultos que cuidam com afeto de seus bebês, temos visto essa tendência aplicada na contemporaneidade. Os carregadores de bebê podem ser encontrados de formas diversas, desde produtos altamente tecnológicos e caros até amarrações improvisadas com tecidos que alguém tinha em casa. 

Uma das questões bastante discutidas no universo brasileiro do carregamento de bebês com o auxílio de facilitadores de colo é o uso da malha para a fabricação de carregadores. A cultura contemporânea brasileira de carregamento de bebês usa a malha desde sempre, e aproveita de sua versatilidade e acessibilidade.

Boas malhas não apresentam contra-indicação nenhuma para serem usadas como matéria prima para carregadores de bebê, especialmente se forem wrapslings - exatamente porque sua segurança e praticidade está diretamente atrelada à amarração . No caso de carregadores modelados, como os pouchslings, as técnicas de corte e costura, sobreposição de tecidos e outros conhecimentos adquiridos ao longo dos anos pelas produtoras aqui no Brasil, em combinação com peso do bebê e qualidade da malha, garantem adequação desse produto, sem nenhuma contra-indicação.


Resumindo: bons produtos de malha feitos por bons fabricantes com experiência no seu manejo são extremamente adequados para carregar bebê.

O que temos visto, infelizmente, é uma tendência de tratar os produtos nacionais, a competência das fabricantes brasileiras e acima de tudo as escolhas das mães como passíveis de críticas sem fundamento nenhum, apenas porque não seguem aspectos de uma suposta cartilha europeia de carregar bebê.

Já falamos sobre isso nesse texto, que trata dessa lógica de colonialismo na comunidade de carregamento de bebês com o auxilio de facilitadores de colo. 

Os produtos brasileiros, construídos dentro do nosso contexto, por nossas mulheres, para nossos filhos, com nossos produtos acessíveis não são inferiores. E muito, muito menos proibidos ou inadequados. 

Portanto, ainda que algumas linhas de pensamento gostem de criticar o uso da malha na cultura brasileira contemporânea de facilitadores de colo, somos muito confiantes nesse sentido: não há problema nenhum com esse tecido.

Wrap Amor no Pano

Wrap Mandacaru
Wrap Toca Baby Slings


Pouch Lilith slings



Wrap WS Slings


Na prática, o que você precisa saber sobre um carregador feito em malha?



1) A diferença entre malha e tecido plano


A malha é aquele tecido feito de forma entrelaçada com a ajuda de agulhas, como um crochê ou tricô. Mas claro, em escala industrial, com fios muito finos e agulhas cada vez menores, temos um produto acabado diferente aquela blusa de lã que você imaginou. O tecido plano é feito com outro tipo de parâmetro, trançando dois fios separados em direções diferentes, a trama e o urdume, em uma máquina retilínea (o tear). Essa combinação pode variar em cores, formatos, tipos de fios, padrões, enfim. A área têxtil é um universo maravilhoso.


Um tecido plano, de uma forma geral, é um tecido menos elástico. Um tecido em malha, de uma forma geral, é um tecido que se estica mais.

Claro está que para ambos os casos a gramatura do fio, o tipo de trama, a qualidade da matéria prima sempre vai influenciar no produto finalizado. Assim, é óbvio que um carregador feito em malha fina, pode apresentar uma capacidade de tensão inadequada para carregar um bebê, tal e qual um tecido plano fino.


Wrap Colo de Pano


2) A composição e gramatura dos fios influenciam na elasticidade e aplicação do tecido

Os fios trançados podem ser 100% naturais, como o algodão por exemplo, ou apresentar combinações, com fibras sintéticas, como é o caso do elastano ou da malha PV que leva poliéster e viscose. Esses mesmos fios podem ser mais ou menos grossos, e essa espessura, a que chamamos de gramatura, tem também influencia na elasticidade do tecido. Um tecido que tem em sua composição fios elásticos vai apresentar maior elasticidade. Se for um tecido fino, mais elasticidade ainda.

Um tecido de malha de fio 100% algodão, vai apresentar apenas a elasticidade natural do tecido, que existe pela forma que o fio é entrelaçado. 



Os Wraps da Sampa Sling são produzidos com malha 175g/m2 - penteada 100% algodão. É um produto macio, agradável ao toque e durável. Não faz bolinha e permite ampla gama de amarrações e posições para o bebê. 

No geral, preconizamos que a malha seja de algodão, e isso está relacionado a dois fatores. O primeiro é porque a prática nos mostrou que a malha de algodão é ao mesmo tempo elástica o suficiente para você mudar o seu bebê dentro do carregador e colocá-lo para mamar por exemplo, e firme para oferecer bom apoio nas costas do bebê ou nos seus ombros. A outra razão é por conta da segurança química do tecido de algodão. Quanto menos componentes sintéticos, em linhas gerais, melhor para a pele do bebê e melhor o conforto térmico da dupla. Mas nenhuma dessas razões impede que você use muito feliz e com segurança o seu wrap de elastano ou sua malha PV. De fato, essa é uma escolha bastante pessoal na hora de carregar, e muitos usuários preferem e se adaptam muito bem com malhas sintéticas.




3) A modelagem do carregador precisa considerar a elasticidade do tecido

Em um wrap por exemplo, tecidos mais elásticos longitudinalmente precisam de uma largura maior no outro sentido, porque na hora de amarrar seu carregador, a elasticidade do tecido pode comprometer o conforto das costas da mãe com o peso do bebê, por exemplo. Então mais largura, significa mais dobra, mais área de tecido para dividir o peso. Nessa lógica, um tecido com uma elasticidade menor não carece de tanta largura, uma vez que bem aberto no corpo gera tensão suficiente para segurar o bebê com conforto.




Um tecido muito elástico certamente não será suficientemente bom por muito tempo para a fabricação de um pouch ou tipóia. No entanto, como já contamos, a experiência em modelagem e os anos de uso e revisão dos produtos, garante por exemplo, que os pouchs de malha que vendemos na Sampa Sling, sejam extremamente seguros e confortáveis. Este modelo de pouch foi cuidadosamente desenvolvido, testado e passa por constate aprimoramento pela Carol Queiroz, da Lilith Slings. 




Nosso sling de argolas de malha é um lançamento recente. Ele tem um toque extremamente suave e macio, e é feito em dupla face com sobreposição de tecidos, que limita o poder elástico da peça. favorecendo o suporte das argolas. Indicado para uso até 20kg. 

4) Saber usar influencia na segurança do carregador

O wrap de malha permite muitas amarrações. Para bebês pequenos e mães iniciantes, recomendamos sempre a pré amarração. Uma das maiores razões, além do respeito à fisiologia do recém nascido, é exatamente a versatilidade dessa combinação. A malha (especialmente de algodão) pré amarrada é fácil de colocar e oferece suporte em todo o corpo do bebê. Ela é ao mesmo tempo elástica o suficiente para que você possa virar o bebê dentro do carregador e colocá-lo para mamar por exemplo, e firme para firmá-lo com segurança contra o seu corpo. O que precisa ser considerado é a qualidade da amarração. Se o tecido está bem aberto, se a posição do bebê é adequada à sua fisiologia e necessidade naquele momento, se a mãe está confortável.


Wrap do Espaço de Maternagem


O pouch por outro lado não depende de amarrações, mas requer medidas de conforto e segurança. O modelo de pouch original da Lilith, é um exemplo desse conhecimento colocado na prática: quanto mais a mãe usa o carregador, melhor sabe lidar com ele, mais o bebê se encaixa nas posições que a mãe propõe. Isso porque o pouch de malha permite dobras e giros intuitivos, que vão se adequando ao formato dos corpos na rotina do carregar.

Veja duas amarrações laterais que você pode fazer com o wrap de malha



Veja a cruz envolvente feita com o wrap de malha



5) Existe um limite de peso do bebê, para qualquer carregador de malha

Nos pouchs da Lilith para Sampa Sling o peso limite sugerido é entre 12kg e 13kg. Ou seja, seu bebê poderá ser carregado desde recém nascido, com as recomendações de segurança que preconizamos (veja as BRAQS) até entre 2 ou 3 anos. Nesse percurso, ele vai mudar de posições dentro do pouch e você, se estiver curtindo esse modelo de carregador, vai perceber que existe sempre uma possibilidade de tensionar a tipóia através das dobras e torções da fita contínua e manejo da costura ao redor do seu corpo ou do bebê. Ainda assim, há quem tenha usado, gostado e recomendado muito pouch dobrado à partir desse peso, na modalidade tipóia mesmo (sem apoio nas costas, como fazem as mães indígenas brasileiras) para carregar crianças maiores. 

Nos wraps de malha o limite de peso está muito ligado ao bem estar da mãe. O wrap bem amarrado carrega uma criança tranquilamente até 18kg. Costumamos colocar esse limite de peso não porque o carregador não aguente pesos maiores, pelo contrário, a malha dos wraps da Sampa Sling é capaz de aguentar dezenas de quilos. Mas porque ao redor desse peso - aos quatro ou cinco anos, a criança começa a demandar menos colo, e o adulto diminui também a disposição de carregar. Ainda assim, nada impede que você carregue seu bebezão enquanto seu corpo aguentar.





27 de junho de 2016

A abordagem Colo Com Amor

A abordagem Colo Com Amor é uma construção coletiva da Rosângela Alves em parceria com várias mães e pais interessados na promoção da cultura de colo. Temos nos encontrado virtualmente em um grupo de discussão, que reune profissionais da saúde, empreendedoras do carregamento com pano, usuários e entusiastas da prática.

Para conhecer todo mundo, peça para entrar no grupo: Colo Com Amor no Facebook

A abordagem Colo Com Amor tem por característica primordial a disseminação dos saberes sobre bebês de colo e troca de experiências, com enfoque para a produção (intelectual e prática) BRASILEIRA. O que significa que é uma abordagem nacional, para reunião e registro da cultura de colo no Brasil atual.

Depois de um tempo de muita conversa e reflexão, troca de experiências e estudo de evidências, elaboramos algumas diretrizes da abordagem - para clarear o que nos motiva e nos diferencia, frente a tantas outras formas de se enxergar o carregamento no pano.

Hoje você conhece nossas diretrizes, leiam! Vocês vão gostar!




DIRETRIZES COLO COM AMOR


Entendimento integral das coisas

A aborgadem Colo Com Amor é de embasamento holístico. E por holístico, temos o entendimento integral das coisas. O olhar para o todo que envolve uma mãe, seu bebê e a saúde de ambos, no encontro de várias áreas de conhecimento. Observamos o colo como uma prática, aprendizado e manifestação cultural apoiada em uma série de sabedorias. Desde a bagagem ancestral, a quem honramos e respeitamos, passando por aspectos do desenvolvimento motor, psicosocial e emocional dos bebês e necessidades reais das mães (ou outros adultos carregadores).


Princípio Humanizante

O contorno da abordagem Colo com Amor, é o princípio básico da humanização. Em oposição à outras abordagens em desenvolvimento no mundo da cultura de colo, o colo é a finalidade, e os panos são o meio. E entre essas duas coisas existe um universo de vivências que entendemos ser o modelo humanizado. Parafraseando Antônio Cândido, entendemos que humanizar a prática significa "confirmar no homem aqueles traços que reputamos essenciais, como o exercício da reflexão, a aquisição do saber, a boa disposição para com o próximo, o afinamento das emoções, o senso de beleza, a percepção da complexidade do mundo e dos seres, o cultivo do humor”. 


Escuta ativa 

Em sintonia com o princípio humanizante, entendemos que o uso dos carregadores se apoia em diversos saberes e é transferido entre pessoas interessadas tanto em manter viva a cultura do colo como em gozar de seus benefícios inestimáveis, porém pessoas em contextos. E contextos são múltiplos, tanto quanto as pessoas. Sendo a interação entre os indivíduos e o meio uma condição para a aprendizagem, não estabelecemos regras rígidas à priori no que diz respeito à posição do bebê, tipos de amarração, tipos de tecido ou afins. Na abordagem Colo Com Amor a escuta ativa das especificidades é mais importante do que ideais de perfeição. A vivência plena da maternidade e proteção afetuosa da primeiríssima infância são mais importantes do que as técnicas. Este princípio se estende tanto para o adulto carregador como para o bebê carregado, que vemos deliberadamente esquecido por abordagens não humanizadas de carregamento. 


Balizas de Segurança

Em constante articulação entre teoria e prática, aprendemos que há algumas balizas de segurança para o uso de carregadores, no que diz respeito à posição do bebê e qualidade dos tecidos e amarrações. As balizas de segurança não são regras, e sim observações óbvias para pragmaticamente evitar acidentes. De maneira nenhuma entendemos que as balizas de segurança podem ser usadas para oprimir, coagir ou interferir na simbiose entre bebê e adulto carregador. No entanto, cabe a observação dos seguintes aspectos (baseado no TICKS, conjunto de segurança para carregadores desenvolvido em 2010 no Reino Unido)




BRAQS

1) Bem Ajustado: Slings e carregadores devem ser apertados o suficiente para manter seu bebê perto de você da forma que seja mais confortável para ambos. Qualquer folga / tecido solto permitirá que seu bebê a deslize no tecido, o que pode dificultar a sua respiração e forçar as suas costas. Consideramos aqui os nós dos carregadores, bem como a qualidade das argolas e fivelas no que diz respeito ao peso suportado e condições de travamento. Essa baliza norteia a segurança mecânica do carregador e do bebê no carregador.

2) Rosto visível: você deve sempre ser capaz de ver o rosto do seu bebê, simplesmente olhando para baixo. O tecido de sling ou carregador não deve se fechar em torno do bebê. Em uma posição berço ou colo, o bebê deve estar voltado para cima não estar virado para o seu corpo. Assim como em posição de colo natural, ou quando colocado no berço, o rosto do bebê deve estar visível, e não coberto por panos ou cobertores. Essa baliza diz respeito tanto à segurança contra asfixia do bebê mas é um convite de atenção do adulto carregador, tal e qual é demandada para um bebê fora do carregador. Olhar o rostinho do bebê pode alertar para qualquer desconforto.

3) À distância de um beijo: a cabeça do bebê deve estar tão perto de seu queixo quanto for confortável. Inclinando a cabeça para frente você deve ser capaz de beijar seu bebê na cabeça ou na testa. Essa baliza diz respeito à altura do carregamento, para evitar exclusivamente que os solavancos do caminhar do adulto atuem como pêndulo em um bebê colocado muito baixo. Ainda assim é relevante notar que na abordagem Colo Com Amor, compreendemos que o corpo do adulto contempla também uma série de variáveis. Por exemplo, é comum que quando carregados por homens, os bebês e adultos estejam em uma posição mais confortável - e igualmente segura - um pouco mais abaixo da distância do beijo. Ou ainda, que algumas ocasiões peçam por um carregamento nas costas. 

4) Queixo afastado do peito: um bebê nunca deve ser curvado de forma que o seu queixo seja forçado sobre o peito, pois isso pode restringir sua respiração. Garantir que há sempre um espaço de pelo menos um dedo de largura sob o queixo do seu bebê. Essa baliza tem a finalidade de promover posição fisiológica natural da traquéia do bebê e não significa que este deva ser carregado apenas verticalmente. No entanto, aponta que, nos carregamentos semi-deitados e mais enrolados, a pressão do tecido não deva exercer força sobre a cabeça de modo a enrolá-la sobre o pescoço o suficiente para provocar sufocamento. 

5) Suporte nas costas: Em um carregamento vertical o bebê deve ser carregado de forma que ele fique confortavelmente perto da pessoa que o carrega, com as costas suportadas na posição natural e barriga contra o adulto. Se um sling é muito frouxo, o bebê pode deslizar no tecido, o que pode fechar parcialmente suas vias aéreas. (Isto pode ser testado colocando a mão nas costas do seu bebê e pressionando suavemente - ele não devem se enrolar ou se mover muito em sua direção). Um bebê em um carregador de posição berço/colo deve ser posicionado com cuidado com a sua parte inferior na parte mais profunda do tecido, de modo que o sling não o dobre ao meio pressionando seu queixo contra seu peito. 


Múltiplas Fontes de Saber: 

A abordagem Colo Com Amor, assim como qualquer prática humanizada, se apoia em múltiplas fontes de conhecimento, sendo principalmente:
- a bagagem ancestral da cultura de colo através dos tempos e por todo o mundo.
- a experiência das promotoras da cultura de colo no Brasil e no mundo: parteiras, doulas, médicas e médicos pediatras, consultoras, fabricantes, vendedoras e mães que vem compartilhando suas vivências de forma gratuita e generosa. 
- a inteligência técnica e científica de variados estudiosos sobre aspectos variados do desenvolvimento de bebês.
- os saberes de ordem intuitiva, instintiva e não mensuráveis das relações entre mães e bebês.

O Colo é maior que o pano
A história do carregamento de bebês através do tempo e pelo mundo é marcada pela versatilidade e pluralidade de formatos, tipos de tecido e posições do bebê. A matriz têxtil de cada região em combinação com fatores geográficos (clima) e aspectos socio-culturais (tipo de atividades exercidas pelos adultos carregadores) determina a predominância de um ou de outro modelo ou posição de colo. Nas tribos indígenas brasileiras por exemplo, há uma larga utilização de tipóias trançadas. Tipóias que vemos também em comunidades ancestrais africanas, mas que fazem bom uso do couro. Povos com tradição em plantio de algodão, cardagem e fiação, tem em sua cultura de colo tecidos retilíneos. Nas populações onde as mulheres-mães atuam em atividades manuais como colheita, ceifagem (entre outros) é comum que os bebês sejam carregados nas costas. Em localidades frias, o bebê é enrolado em mantas antes de ser colocado no carregador. Tudo isso para estabelecer que a abordagem Colo Com Amor considera os aspectos climáticos, sócio culturais, do desenvolvimento do bebê, do conforto do adulto carregador e da disponibilidade dos tecidos, em combinação com as nossas outras diretrizes já descritas. Na sociedade contemporânea, as propagadoras da cultura de colo dentro da abordagem Colo Com amor atuam na pesquisa, confecção, venda, educação, disseminação e vivência da prática de forma transdisciplinar, de modo que constroem a abordagem de forma autoral, flexível e baseada na práxis cotidiana para além dos textos científicos.


Tecnologia Social

A abordagem Colo Com Amor entende o uso do carregadores de pano e facilitadores de colo como uma tecnologia social. Acreditamos que carregar bebês é sabedoria feminina que deve ser compartilhada, estimulada e preservada, e se em algum momento o elo desta corrente se quebrou, cabe à nós reconectá-lo. Portanto promovemos a disseminação desse conhecimento de variadas maneiras. Em encontros coletivos, rodas maternas, entre consumidores e clientes, através das redes digitais, e, nos casos das pessoas que fabricam carregadores de pano, em suas lojas, eventos e oficinas. A abordagem Colo Com Amor privilegia a transmissão gratuita, horizontal e democrática desse conhecimento, não tendo as consultorias particulares e cursos de formação como foco de atuação. Colo Com Amor, é uma abordagem com menos apelo mercadológico e mais apelo social. 


Evidências Científicas, Estudiosos e Bibliografia da Abordagem Colo com Amor: 
A abordagem Colo Com Amor entende o material acadêmico como apoio para proteção da cultura de colo frente aos interesses de grandes iniciativas, que no último século vem lucrando com a tendência vigente de separar fisicamente os humanos de suas crias. Assim, a comunidade científica só vem confirmar o que já sabemos: colo faz bem. A abordagem colo com amor não usa o resultado de pesquisas como fonte de imposição de regras, e sim os observa criticamente em sincronia com todas as diretrizes que a norteia.

DOWBOR, Fátima Freire. Quem educa marca o corpo do outro. São Paulo: Cortez, 2007. GUTMAN, Laura. A maternidade e o encontro com a própria sombra. Rio de Janeiro: Best Seller, 2010.
______________. O poder do discurso materno. 1 ed. São Paulo: Ágora. 2013. 
______________. Mulheres visíveis, mães invisíveis.1 ed. Rio de Janeiro: Best Seller, 2013. KARP, Harvey. O Bebê mais feliz do pedaço. São Paulo: Planeta, 2004. 
LIMA, Elvira Souza. Como a criança pequena se desenvolve. São Paulo: Inter Alia, 2010.
NICOLESCU, Basarab. O Manifesto da transdiciplinaridade. São Paulo: TRIOM, 1997. 
STRUYF, Godelieve Denys. O método das cadeias musculares e articulares: o método G.D.S. São Paulo: Summus Editorial, 1995. 
TRINDADE, André. Gestos de cuidado, gestos de amor: Orientações sobre o desenvolvimento do bebê. São Paulo: Summus Editorial, 2007. 
BÉZIERS, Marie Madaleine. O bebê e a Coordenação Motora: Summus Editorial.
WINNICOTT, D.W. Os bebês e suas mães. 4 ed. São Paulo: Martins Fontes, 2012.
_______________. A criança e seu mundo. 6 ed. São Paulo: LTC, 2013.

22 de junho de 2016

Por que a Slingada é uma marca registrada? Rosângela Alves explica

Sling é um nome em inglês.
No nosso contexto, poderia ser traduzido como rede, ou tipóia.
Mas essencialmente é também um verbo, para pendurar, içar, carregar…


No exterior, a prática de carregar um bebê com o auxílio de um suporte, se chama Babywearing. Quer dizer, literalmente, Vestimento de Bebê. Aqui no Brasil, "Slingar" foi um dos neologismo adotados para traduzir essa ação, de carregar o bebê. Muito embora a alcunha "Babywearing" esteja sendo usada cada vez com mais força. 

Quando a Sampa Sling em 2005 começou a fabricar seus carregadores, a prática do Babywearing contemporâneo era muito incipiente. Se hoje, ainda somos olhadas como mulheres "alternativas" (para não dizer verdadeiras aberrações) carregando um bebê amarrado ao corpo, naquela época nem palavras existiam para definir o que estávamos fazendo.

Eis que muito antes de uma empresa de carregadores, em um tempo em que poucas pessoas conheciam a prática de carregar bebês com panos, já aconteciam eventos em torno desse tema. Uma mulher mais experiente, encontrava outras menos experientes, e passava seus conhecimentos. Em poucos encontros, a sabedoria se multiplicava. Era transmitida para alguém lá em casa, era colocado em um vídeo na internet, também ainda muito tímida, há quase 10 anos.

Para além de celebrar uma cartilha de regras de como carregar seu filho no colo, esses primeiros encontros eram de troca, empoderamento. De conhecimento e troca sobre colo, afeto, amamentação, e cura para as dores do parto. Eu, Rosângela, com o tempo, deixei de ser aprendiz. E os encontros ganharam um nome: vamos fazer uma SLINGADA?

Esta é a primeira Slingada, na casa da Analy

Era um evento informal, que acontecia no quintal da casa de alguém. Você pode ler mais sobre a história da primeira slingada aqui. E nesta interessante postagem original, da Analy Uriarte, a precursora da cultura de colo no Brasil urbano. Alguém trazia um bolo, os bebês brincavam. As puérperas saíam de casa e se apoiavam para seguir carregando seus bebês, como até há pouco faziam com tranquilidade nas barrigas.

Quando eu assumi a Sampa Sling, a Slingada já era uma característica atrelada da marca. E não havia ninguém fazendo nada parecido, afinal das pouquíssimas marcas que atuavam na confecção e venda de slings, apenas a Sampa Sling investia nos encontros presenciais.

E investir significava dedicar um fim de semana por mês, no mínimo, para estar ali. Presencialmente, atendendo quem quisesse saber. Dividindo o que eu havia aprendido. Dedicar um outro tanto de tempo para encontrar um lugar, para informar as pessoas. Investir significava muitas vezes ficar sem vender um único sling por muitos meses! Ou ter uma Slingada de quatro horas com apenas uma participante. Fazer slingada em protesto, na chuva, na sala de casa. Trabalhei muito!

Em 2011 junto com o Materna em Canto - na Marcha em defesa das Obstetrizes
Em 2012 no Espaço Nascente
No Sesc Interlagos
No parque da criança
Na livraria 
A Slingada se oficializou como evento permanente em vários espaços (veja a agenda de Slingadas

Em 2015 abri minha própria loja física, o Espaço Sampa Sling que é a casa oficial da Slingada, gratuita e permanente.
Com o advento da internet, com os avanços das pesquisas científicas acerca da criação com apego - que começaram a provar o que a gente já sabia, que colo é bom, amor não faz mal - os slings começaram a ganhar mais espaço no gosto e na prática das mães contemporâneas. E com isso, muita gente começou, assim como eu, a fazer da confecção e venda de slings e outros carregadores, uma atividade profissional.

Nesse crescente, outros encontros para consultoria e venda de slings começaram a ser organizados! Ótimo! Sempre entendemos nosso negócio como algo positivo para o coletivo, e quanto mais mulheres aprendessem e pudessem ter acesso a um carregador de pano, maior impacto para os bebês, melhor para o mundo! Para mim, para minha marca, para as pessoas que eu atendo e para o mundo, o carregador de pano é uma Tecnologia Social. Um jeito de melhorar a vida. Isso faz parte da minha abordagem de trabalho há quase dez anos. 

Em 2014 eu comecei a fazer Slingadas Solidárias no Amparo Maternal. Coleto doações de carregadores e vou até o amparo, me disponibilizando a compartilhar o que eu sei com mães que estão em situação de risco. Tenho aprendido mais com elas do que elas comigo, certamente. 

Mas, muitas vezes esses encontros que são organizados em diversas partes do país, não celebram os mesmos valores, construídos mês à mês, bebê à bebê, da Slingada Sampa Sling. É natural que com a crescente adesão ao carregamento com facilitadores de colo, várias visões e abordagens tenham surgido.

Então começamos a ver consultoras optando por fazer workshops pagos sobre slings: e chamavam de Slingadas.
Vendedoras que faziam uma venda especial em um determinado dia, sem prestar atendimento de consultoria: e chamavam de Slingada.
Pessoas organizavam eventos com entrada paga: e chamavam de Slingada.
Confecções de slings ofereciam cursos de formação para futuras consultoras: e chamavam de slingadas.
Venda casada de slings - o cliente comprava o carregador e tinha que pagar pela consultoria: e chamavam de slingada! 

:(

Assim, foi uma decisão da marca Sampa Sling reservar os direitos de uso de nosso trabalho, construído com base nos valores que celebramos, através do registro de Slingada. 

Slingada é o encontro sobre slings da Sampa Sling. 

E fazemos votos para que todos os empresários, micro empresários, pequenas e grandes iniciativas que trabalham com a difusão do carregador de pano possam se inspirar pela nossa história para criarem, organizarem e nomearem seus próprios eventos, cursos, palestras, encontros e workshops. 

Neste ano de 2016 eu enviei o primeiro lote de carregadores da Sampa Sling para Londres. Eles fazem agora parte do acervo do encontro de slings de lá, que se chama Sling Library - e trabalha com um esquema de empréstimo e aluguel de carregadores com educação voluntária para seu uso

A Slingada atua com base na abordagem criada pela Sampa Sling, em parceria com outras mulheres, mães e profissionais do colo: uma abordagem humanizada, cujas diretrizes estão sendo trabalhadas há anos, mas que recentemente ganhou um nome oficial. Colo Com Amor (à partir da palestra do III Simpósio de Assistência ao Parto, onde eu tive o prazer de apresentar, junto com Tatiana Tardioli, os preceitos da nossa abordagem de carregar, que leva consigo toda essa história). 

Vamos falar muito de Colo Com Amor por aqui!
Para finalizar, deixo registrado:

A Slingada é:


- Gratuita;
- Colaborativa;
- Oferece consultoria sem custo para qualquer pessoa interessada;
- Independente do produto (ou seja, as pessoas podem vir na Slingada e trazer qualquer marca de carregador que serão carinhosamente assessoradas, sem julgamentos, sem opressão);


A Slingada almeja:


- Estar em cada vez mais espaços;
- Difundir a abordagem de carregamneto Colo Com Amor;
- Alcançar cada vez mais pessoas;
- Respeitar sua história e valores originais.
- Honrar o caráter intuitivo e aspectos integrais do uso dos facilitadores de colo e das características individuais de cada bebê, mãe e família.

com carinho,

Rosângela Alves

A versatilidade do Mei Tai

O Mei Tai contemporâneo é inspirado nos carregadores orientais. Ele é um tipo de carregador estruturado, que forma um assento ergonômico e é recomendado para bebês que já sentam. Nesse vídeo você verá a praticidade e versatilidade do Mei Tai, que quase não carrega nenhum segredo para seu uso. Mas tem surpresa no final do vídeo, uma daquele tipo que toda mãe adora!

<3


6 de junho de 2016

O colo é maior que o pano - sobre slings e tokens

Este é um texto dedicado às profissionais dos facilitadores de colo. Ele registra uma parte do processo de reflexão e aprendizado da Sampa Sling, enquanto uma das marcas pioneiras na fabricação de Slings no Brasil e referência nacional para seu uso. 


Você já ouviu falar em tokenização?

Essa é uma palavra esquisita, mas que resume um fenômeno muito comum em alguns polos de discussão, especialmente que tratam de feminismo e racismo.

Seria algo assim: usar um grupo, ou a experiência de um grupo - normalmente um grupo explorado, oprimido ou que sofreu algum apagamento - para tirar vantagem própria, justificar sua conduta ou validar seu discurso opressor.

Como por exemplo, quando alguém é acusado de racismo e diz "eu não sou racista porque até tenho um amigo que é negro". 

No nosso mercado, não é incomum que usemos as experiências de maternidade de outras mulheres como token. Em especial quando tratamos de carregamento ancestral e suas infinitas modalidades. Este texto é para levantar essa reflexão e pensar em formas de evitar esse comportamento duvidoso. 

Vamos fazer uma pausa aqui para pontuar que toda produtora de Sling contemporâneo trabalha em um lugar de desdobramento da cultura ancestral do carregar. Mas que se trata de uma releitura do passado em moldes atuais.  Nenhuma de nós ou nossas clientes jamais vivenciará as experiências de maternidade das culturas ancestrais, inclusive da prática do carregamento no colo. À menos que esteja ainda imersa nessa cultura, recebendo conhecimento e influência ascendente-descendente. Veja esse vídeo, que ilustra como a prática do carregamento é transferida de avó para mãe, de mãe para filha. E como isso se difere de como hoje a mãe contemporânea tem aprendido e escolhido suas práticas.




Voltemos à tokenização na nossa comunidade de carregadores de pano. 

Vamos supor que você vende carregadores de pano de um determinado tecido. Sem dúvida, você acredita na qualidade do seu produto e investe muito em contar sobre isso. Isso é ótimo, não há críticas aqui. Mas, não raro, é parte do seu discurso que para valorizar seu próprio produto você precise comparar o produto de outro alguém, que vende carregadores de outro material. E nessa comparação você diminui o produto do seu concorrente.

Não por maldade, mas porque você acredita que sua opção é superior. Você faz questão de pontuar os prós do seu produto e os contras do produto da outra. Essa é uma escolha que você fez: ao vender o seu peixe, você escolheu essa linha de argumentação - da qualidade do produto, da superioridade do seu tecido. Abordagem tecnocrata.

Pois bem, a parte técnica do seu argumento de venda está em perfeitas condições. Mas os aspectos sutis do mercado que você representa perde um pouco quando você fica insistindo no tipo de tecido ideal para o carregamento. Que aspectos? Cultural por exemplo.

Bate aquela vontade de valorizar também as mulheres maravilhosas que mantiveram vivo o colo na humanidade. Porque sabemos, se dependesse das indústrias bebês estariam todos em berços, carrinhos e cadeirinhas. 

Então, para dar aquela sensação de que sua linha de discurso não é também assim, somente técnica e baseada nas características dos avanços industriais dos tecidos, (afinal você trata com mães e bebês, e parece ser necessário dar conta desses aspectos sutis também)  vira e mexe você posta nas suas redes sociais fotos assim. 

Ai que lindo! 


Adoroooo!


Carregador Maravilhoso!

Fotografias de Beatrice Fontanel no Livro: Bebés Du Monde


Percebeu? Usa a história, a bagagem, a experiência antropológica de grupos e culturas- nesse caso sim, largamente oprimidos - para criar um falso senso de validade para seu próprio negócio. Que nunca usou a pluralidade como argumento de venda, uma vez que escolheu hierarquizar a tecnologia dos tecidos. 

Isso valeria também para as posições do bebê, os tipos de amarração, as indicações de uso de cada formato de carregador.  Isso é tokenização.

Transportando esse fenômeno para outras áreas relacionadas do nosso universo, seria como: 

  • Um obstetra que tem taxas de 90% de cesáreas eletivas usar fotos de partos humanizados para decorar o consultório.
  • Uma empresa que fabrica leite artificial usar em uma campanha digital fotos de mulheres amamentando em um protesto, dizendo ser também um aliado da amamentação.
  • Uma corporação que vende bebidas açucaradas ser patrocinadora de um evento esportivo que tem foco na promoção de saúde. 

Como vocês podem ver, a tokenização é um hábito muito normalizado, que serve para "lavar" um comportamento incongruente com o que seria socialmente aceito. Ninguém quer se reconhecer racista. Então usa o amigo de token para limpar a própria barra.

Ninguém quer renegar a pluralidade do carregamento de bebês pelo mundo. Mas quando escolhe tecnocratizar o acesso e a prática dos carregadores, fica numa posição conflitante. E Tokeniza.

Como escapar disso?

O colo é maior que o pano
Nossa prática tem mostrado que os argumentos de venda para o carregamento de bebês não estão e nunca estiveram atrelados ao produto. É claro que bons tecidos, aspectos de segurança, ergonomia e outros dados de qualidade precisam ser observados com muita atenção por quem escolhe transformar o colo e os carregadores em prática profissional. Mas essas questões, quando sobrepostas às finalidades do produto e da prática - vínculo, facilitação da amamentação, emancipação da mulher entre outras - levam ao beco sem saída da incoerência. Na prática do colo e carregadores de bebê enquanto atividade profissional, as finalidades não podem ser apagadas pelos meios.

De olho na apropriação cultural
Temos elaborado muitas reflexões acerca da apropriação cultural do carregamento no pano, na medida que entendemos que nossa prática precisa sempre atribuir valor às culturas, experiências e características de todas as modalidades de carregamento. É só por elas que o colo sobreviveu. Assim, conhecer, divulgar e atribuir valor ao contexto histórico, antropológico e cultural que nos trouxe aqui, inclusive fazendo os recortes de raça que são tão necessários, é de extrema importância. Leia mais aqui sobre apropriação cultural

Mais escuta, menos julgamentos
Não somos a polícia do Sling. Fizemos a escolha de respeitar e acolher as pluralidades dessa prática. Existe uma tendência no trato de mulheres que se tornam mães por parte dos mais variados profissionais, de apagar o universo riquíssimo de conhecimento, intuição e potência que cada pessoa trás consigo. Não compactuamos com a abordagem fragilizante das mulheres e mães, tratando-as como se fossem incapazes. Nosso compromisso é apoiar com escuta antes de querer impor "o nosso jeito" para essa ou aquela mãe, acreditando que está nela a possibilidade de descobrir seu jeito de maternar.

Há espaço para todos
Na gana de competir por nichos de mercado é que surgem essas vontades de ser superior, ser melhor, tomar a frente e por fim: oprimir e usar discursos distorcidos sobre o carregamento de bebês no pano. O risco de ser preconceituoso, cair na apropriação das culturas e tokenizar a maternidade alheia é mais alto quando você entra no modo "competição". Somos partidários da cultura da abundância, entendemos que há espaço para todos e fazemos nosso trabalho dentro das balizas técnicas e éticas. Não nos comparamos com outras marcas. Foco no trabalho dia a dia, o sucesso é resultado.

Revisão, Reflexão, Sempre
A Sampa Sling permanece em constante processo de mudança. Tanto do ponto de vista da melhoria dos produtos, quanto das práticas. Tanto no atendimento para os clientes como da nossa missão e propósito. Não existem argumentos ou regras que tenhamos criado que não possam ser revistos se isso significar mudança para melhor. Nosso compromisso está sempre em fazer o bem, para um grupo cada vez maior de pessoas e com foco no aumento de benefícios para todos os envolvidos. 

23 de maio de 2016

Cruz Envolvente para WrapSling

A Cruz Envolvente é um tipo de amarração para o WrapSling. 

Ela proporciona bastante ergonomia no carregamento vertical do bebê - pernas afastadas em M, coluna em C e proximidade do rosto da mãe, características importantes para a segurança no carregar.

No entanto, é um tipo de amarração que impede que o bebê seja facilmente movimentado dentro do carregador. Você verá no vídeo que a Cruz Envolvente é uma amarração que depende da posição do bebê no colo, portanto não permite que ele seja movimentado depois, coisa que pode ser um complicador para bebês em livre demanda que estejam passeando na rua por exemplo: talvez para dar o mamá a mãe necessite desamarrar todo o carregador, coisa que por exemplo não acontece com a pré amarração para WrapSling ou em um Pouch Sling por exemplo.

Por essa razão, a Cruz Envolvente não é a primeira amarração que recomendamos para as mães que começam a slingar seus bebês, em especial se forem recém nascidos. Entendemos que bebês recém nascidos e suas mães precisam de flexibilidade e tempo para desenvolverem suas práticas exclusivas de colo, e a pré amarração para Wrap Sling (que você pode ver nos vídeos da série Slingando Recém Nascidos) permite mais praticidade nesse sentido.

Na Cruz Envolvente ainda, existe uma necessidade de abertura dos quadris do bebês, coisa que a maioria dos bebês recém nascidos não tem. Contudo, a cruz é uma ótima opção para os dias de calor, uma vez que não sobrepõe faces do tecido em bebê e mãe. 


16 de maio de 2016

Aguayos Bolivianos e o estudo científico da professora Ivonne Ramirez - Prólogo

Ivone Fabiana Ramírez Martinez
Em tradução livre pela Sampa Sling

Prólogo por Carmen Julia F. Heredia Cavero 
Psicologa Social Representante da Associação de Psicologia Social - Bolivia (APSISOBOL) 

Foto: Unbolivable

"Cumprindo as tradições de seu povo, ao seu filho havia amarrado dos pés aos ombros, assim seu filhinho ficava quietinho nesse invólucro branco, que por vezes, para algumas pessoas, evocava uma ninfa. Quando ela deu à luz pela segunda vez, já estava na cidade e os médicos lhe disseram que envolver a criatura "como um morto, não era bom porque lhe tirava a liberdade para se desenvolver"; de modo que a mulher para não antagonizar, nem os médicos nem à sua mãe, seu segundo filho amarrou apenas até a cintura. E, finalmente, e em linha com a tendência moderna da mãe cosmopolita, seu terceiro filho foi "libertado" do controverso Chumpi Walta.

A história familiar acima ocorreu há mais de 45 anos atrás, mas hoje escrevendo este Prólogo vivo duas circunstâncias; Estou na cidade de Santa Cruz, e alojada em um desses condomínios elegantes e seguros, onde é claro, se "infiltraram" mulheres de origem Aymara e Quechua para cumprir tarefas de babás ou empregadas domésticas do lugar.

Uma delas, que renunciou à sua saia, mas não a seu Aguayo, foi proibida de carregar a filha de seus empregadores em seu pano de tear colorido. Segundo os pais, a empregada acatou submissa a proibição. No entanto, as colegas vizinhas da trabalhadora contam que no momento em que os pais atravessam pelo grande portão do condomínio, ela e a menina desobedecem, tornando-se assim a empregada naquela "que não entende nada" e sua pequena cúmplice em uma menina branca de olhos verdes criada como uma menina Andina... aparentemente feliz dentro do Aguayo.

Esses relatos mostram indiretamente a controvérsia que ocasiona, na Bolívia, o uso do Aguayo e do Walta Chumpi na infância.

E aqui então, resgato um dos muitos méritos do trabalho de Ramirez, que é essa lucidez para investigar um hábito andino diário, que há anos desencadeia preocupações em pais e mães, na sua maioria migrantes de áreas rurais, da Bolívia. Preocupações e perguntas como: amarrar ou não amarrar com o walto as crianças para carregá-las no Aguayo?

Em outras palavras, a autora intenciona fazer uma abordagem científica sobre os "benefícios ou malefícios" psicomotores que o uso destas peças de vestuário e práticas andinas poderiam causar durante a infância. Além disso, a análise psicossocial que Ramirez dá ao assunto é esclarecedora para compreender o comportamento psico-motor e afetivo-emocional, ambos entendidos como um todo organizado e determinado pela relação do sujeito com seu entorno, em conseqüências dos enfoques que tendem a dicotomizar o corpo e o meio social, algo impensável na psicologia construtivista.

(...)

No entanto, para além dessa pesquisa exploratória nas crenças e práticas sobre o uso de Aguayo e do Chumpi, as entrevistas realizadas por Ramirez com diferentes mulheres e homens de seus grupos de estudo, revelam a existência de uma etno-medicina e etno andino-psicologia, ou seja, o conhecimento e as habilidades que têm a ver com o cuidado físico e emocional das crianças andinas; segundo a autora, crenças e práticas estas que não estão em desacordo com as recomendações da biomedicina, especialmente quando se trata do cuidado da região frontal da cabeça das crianças.

Inevitavelmente, a leitura da pesquisa realizada por Ramirez, me levou para os caminhos agudos traçados ​​por Michel Foucault, que como sabemos, diz que o conhecimento e a prática médica têm um lugar privilegiado no exercício de poder sobre nossos corpos, os discursos médicos nas sociedades modernas de hoje se converteram em novas formas de controle social.

À luz dessa premissa, é válido questionar-se se o discurso biomédico (especialmente o local) sobre as amarrações com Walta, emitido segundo a autora sem nenhuma base científica, se resume apenas em "prejuízos" e se todo "prejuízo" talvez não represente uma forma de controle social. Um controle, que nesse caso não diz respeito apenas ao conhecimento e práticas etnomédicas, mas também implica na tendência de se uniformizar todos os seres sociais e identidades dos mesmos, uma vez que essas esferas Psicosociais se constroem à partir de um modelo ideal ocidental. 

Reforçando essa ideia, cabe também mencionar a antropologia do corpo, à qual a autora também recorre em sua análise. Tal cometido, afirma categoricamente que todo corpo é construção bio-psico-social, cultural e histórico. Assim, os corpos que os waltas e chumpis moldam na Bolívia andina, constituem parte da identidade desse grupo, e de uma forma específica de relação é vínculo que se estabelece entre criança e mãe, e criança e entorno social.

Cabe destacar que o olhar científico e multidisciplinar da autora, impedem de fazer "fetiche" destas indumentárias e práticas ancestrais, porque determina que o uso indiscriminado do Aguayo à partir do nono mês de vida prejudica o desenvolvimento psicomotor da criança. Esta observação, eu considero fundamental, já que apenas à partir de um enfoque ao mesmo tempo crítico e receptivo dos conhecimentos e práticas andinas, é que será possível consolidar e revolucionar a forma de compreender, fazer e aplicar a ciência junto aos povos indígenas e outras comunidades. 

Além disso, o trabalho de Ramírez ao propiciar um encontro, ainda que apenas entre suas páginas, de diferentes conhecimentos, nos impele a seguir nesse caminho, e implica o desafio de ir tecendo com cada vez maior precisão os tópicos da ciência. 

Carmen Julia F. Heredia Cavero Psicologa Social Representante de la Asociación de Psicología Social - Bolivia (APSISOBOL) 

26 de abril de 2016

Duas amarrações laterais para o SampaWrap

O Wrap Sling é um dos mais versáteis carregadores de bebê. Um pano comprido que amarrado de diferentes formas, facilita o carregamento em variadas posições.
No vídeo de hoje, ensinamos duas possibilidades de amarração lateral, recomendadas para bebês que já sentam.




Assista, curta, pratique e compartilhe! 

20 de abril de 2016

Slingada Solidária 2016

Estamos nos preparando para a 4a edição da Slingada Solidária e para isso precisamos da ajuda de vocês. Doe seu sling para quem mais precisa dele. 

O Amparo Maternal é uma organização não-governamental que fornece assistência às gestantes e mães de todo o país, pelo SUS. Em outubro, a Sampa Sling promoveu uma slingada solidária que juntou em torno de 20 mães e seus bebês.

Nessa linda slingada, compartilhamos com cada uma delas nosso conhecimento sobre carregadores de bebês, os benefícios, tipos de slings e amarrações. Conhecemos um pouco de cada uma delas, suas histórias e dificuldades. A Sampa Sling teve o privilégio de levar a cultura dos carregadores de bebê para essas mães que tanto precisam de apoio. Cada uma delas recebeu um sling e já saiu de lá com seu bebê amarradinho perto do coração.

Nossa próxima edição acontece em 11 de maio e a Sampa Sling tem pontos de coletas em vários lugares na cidade de São Paulo. Veja abaixo, todos nossos pontos de coleta e nos ajude a facilitar o colo dessas mães !

Se você não pode levar seu sling pessoalmente, você pode enviar pelo correio, para o endereço da Sampa Sling. 

Pontos de Coleta:

CASITA – R. David Campista, 180 - Vila Lea, Santo André - SP, CEP 09090-430
Até 03/05 – Terças e Quintas das 13h às 16h.
Sábado 30/04 – Das 9h às 12h.

CASA MOARA - R. Guararapes, 634 - Brooklin Paulista - CEP 04561-000
Durante o horário de funcionamento habitual

CAZA DA VILA - R. Francisco Cruz, 426 - casa 26 - Vila Mariana CEP 04117-091
De segunda a quinta, Das 14 as 18 horas

PARTO SEM MEDO - R. Itamarati, 151 CEP – 01234-030, Pacaembu, São Paulo
Durante o horário de funcionamento habitual

ESPAÇO NASCENTE - R. Grajaú, 599 – Sumaré - CEP 01253-001
De Segunda a sexta, Das 15h30 às 19h

CASA DO BRINCAR - R. Ferreira de Araújo, 388 - Pinheiros - CEP 05428-001
Durante o horário de funcionamento habitual

ESPAÇO SAMPA SLING
- R. Antônio Viêira de Medeiros, 94 - Pinheiros - CEP 05425-060
Segunda a sexta das 9h às 17h.

CASA LILA - Rua Safira, 276 - Aclimação, CEP 01532-010
Segunda a Sexta Das 9h às 18h.